sábado, 28 de fevereiro de 2009

Moleskine

As férias deste ano foram bem curtinhas. Ainda assim foi o tempo suficiente e necessário para que pudéssemos parar, sair da rotina e curtir as muitas brincadeiras em família. Envoltos nas demandas diárias do trabalho, nem nos damos conta de como esta paradinha estratégica é terapêutica e necessária. Só quando paramos - e pautamos as atividades do dia a partir de outras demandas - é que sentimos o quanto ficamos distantes de uma porção de coisas simples e muito importantes para uma vida saudável e feliz.

Além das brincadeiras diárias na beira da praia, levei vários livros que estavam aguardando para serem lidos, ansiosos na cabeceira da minha cama. E levei, também, o meu Moleskine, fabricado à mão, exclusivamente para mim, pelo meu grande amigo e camarada, Nairo Moleda.Moleskine é uma marca de cadernos de notas produzida pela empresa italiana Moleskine SRL. Embora o nome aluda ao tecido de mesmo nome, moleskin, o caderno não é produzido ou revestido com ele, e sim com uma capa dura de cartão envolvida por material impermeável.

Outras características que a distinguem são cantos arredondados, uma tira de elástico para mantê-la fechada (ou aberta em determinada página) e uma lombada costurada que permite que ela permaneça chata (a 180 graus) enquanto aberta. A folha de rosto vem impressa para que o seu proprietário possa escrever os seus dados pessoais, assim como estipular um valor de recompensa caso alguém a encontre perdida.

A Moleskine voltou à moda em nossos dias após as descrições feitas pelo escritor Bruce Chatwin dos cadernos de notas que usou. A sua versão actual, entretanto, não é uma descendente directa da Moleskine original. Chatwin usou cadernos de notas similares constantemente durante as suas viagens e escreveu brilhantemente acerca deles.

O seu suprimento de cadernos, entretanto, cessou em 1986, quando a papelaria que lhos fornecia, na Rue de l’Ancienne Comédie, em Paris, informou-o de que o último fabricante de moleskines, uma pequena empresa familiar estabelecida em Tours, descontinuara a sua produção naquele ano, após o falecimento de seu proprietário.

Embora a Moleskine srl divulgue que os seus cadernos de notas foram utilizados por reputados intelectuais que influenciaram a cultura no século XX – escritores e artistas como Vincent van Gogh (1853–1890), Henri Matisse (1869–1954), Pablo Picasso (1881-1973), André Breton (1896-1966), Louis Férdinand Céline e Ernest Hemingway (1899-1961) -, a marca Moleskine foi registrada oficialmente apenas em 1996, voltando a ser lançada em 1998. Francesco Franceschi, titular do Departamento de Marketing da Modo & Modo, foi citado como tendo afirmado, "É um exagero. É marketing, não ciência. Não é a verdade absoluta.".

Um escritor que confirmou utilizá-las é Neil Gaiman, que escreveu acerca da sua paixão pelas Moleskine em seu blog. O roteirista neerlandês Simon de Waal também usa cadernos de notas Moleskine. Em uma entrevista afirmou usar as Moleskine pequenas para tomar notas de pesquisa e guardar idéias, e as de maiores dimensões para cada script e livro que escreve. Dave Eggers usa as Moleskine para escrever enquanto viaja, e o seu livro de contos "How We Are Hungry" foi lançado originalmente com uma capa imitando uma Moleskine.

Em 2006, a Modo & Modo, a sua antiga editora italiana, iniciou uma busca para vender a empresa ou associar-se a alguém que auxiliasse na sua expansão. De acordo com um artigo de 2006 no Telegraph, a empresa reportou que, com o seu pequeno quadro de pessoal, não estava a conseguir atender a demanda. Em Agosto de 2006, o fundo de investimentos francês Société Générale adquiriu a Modo & Modo por 60 milhões de Euros.

As versões "standard" apresentam-se em dois tamanhos, o pocket, com 3.5 por 5.5 polegadas (9 x 14 cm) e o large, com 5.25 por 8.25 polegadas (13 x 21 cm).

- os pocket notebooks estão disponíveis em diversos tipos: pautado, quadriculado, liso, agenda de endereços, caderno de anotações e de pauta musical (192 páginas cada); caderno de esboços e "storyboard" (80 páginas em papel mais denso); álbum de bolso japonês (60 páginas dobradas em zig-zag); e bolsos de memória (seis bolsos ao invés de folhas de papel).

- os large notebooks estão disponíveis nos modelos pautado, quadriculado, liso e agenda de endereços (240 páginas); caderno de esboços, com 100 páginas; e bolsos de memória (seis bolsos).

- Diaries disponíveis nos tamanhos pocket e large, como os anteriores, e nas versões "diário" e "diário semanal". Cadernos de notas semanais também estão disponíveis. Estes apresentam um novo layout, com a semana em uma vista de olhos à esquerda e papel liso de anotações à direita. A versão de 18 meses vai de Julho a Dezembro. Eles têm capas maleáveis, como a linha Cahier, e estão disponíveis nos formatos pocket (9 × 14 cm) e large (13 × 21 cm). Complementarmente, vêm em papel mais fino do que os cadernos de notas tradicionais para permitir que as linhas do papel de notas sejam vistas através da página. Têm um bolso interno no final.

- Cahier (Fr. para "caderno de notas", pronunciado "kah-yay", /ka'je/) cadernos de notas mais finos, apresentados em conjuntos de três. Eles também estão disponíveis em duas cores diferentes, preto ou camurça ("kraft"). Eles têm uma capa mais fina, de cartão flexível, sem a fita marcadora e o fecho elástico presentes nos demais cadernos de notas, mas com a costura da lombada visível. Os três tamanhos são pocket (64 páginas), large (80 páginas) e extra large (7.5 por 9.75 polegadas (19 x 25 cm); 120 páginas); cada tamanho é oferecido nas variedades pautado, quadriculado ou liso.

- Repórter – estes cadernos de notas são similares aos da linha "standard", excepto que têm lombada no topo, em vez de na lateral. São comercializados nos tamanhos pocket e large, e nos tipos pautado, quadriculado e liso.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Moleskine
www.kaiermoleda.blogspot.com
kaier.moleda@gmail.com

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Férias

Agora sim!
Estamos em férias!!

Sempre saímos em férias em fevereiro. Mesmo com o recesso escolar, no mês de janeiro aproveitamos para fazer o balanço do ano que passou e, principalmente, planejar as atividades do próximo semestre. Também, as demandas do escritório me seguram sempre por aqui em janeiro. E penso que tem, também, aquele sentimento de achar que o ano fica um pouquinho menor, pois quando retornamos no final de fevereiro, faltam apenas mais dez meses de trabalho!

Mas estamos em férias! E com uma hora a mais pois hoje termina o horário de verão! Nem acredito que vamos finalmente ficar uns dias fora do circuito da cidade. Se bem que curtir o Porto Verão Alegre, nesta primeira quinzena de fevereiro, não foi tão mal assim. Claro que teve os dias e noites de muito calor, a falta do relaxamento total que só temos quando saímos da rotina diária e aquela aparente angústia de querer estar onde todos os amigos estão.

Mas teve também suas boas vantagens!

Teatro, cinema, shows, bares, piscina do clube, restaurantes, diversos passeios na cidade, entre outras tantas e inumeráveis oportunidade de lazer que a nossa bela cidade nos oferece o ano inteiro mas que, neste período de férias de verão, se tornam mais aprazíveis pelo êxodo de grande parte da população em direção ao litoral. Teve dias que a cidade parecia totalmente vazia.

Valeu!!

Ontem a noite saímos com os nossos queridos amigos Lú & Chelle - recém casados e muito felizes - para uma pizzaria (muito boa, por sinal) na Av. Nova York. A noite estava ótima, com uma suave brisa que nos animava a ficar um pouco mais nas mesinhas da varanda externa em frente ao restaurante. Então, repentinamente, me vieram à memória meus tempos de criança onde, naquela época - já distante no tempo - andávamos muito mais nas ruas do que nos dias atuais. Que eu me lembre, tudo acontecia nas ruas de Porto Alegre. Cinemas, comércio, lazer, bares, restaurantes, enfim, a rua era o palco dos acontecimentos da vidas das pessoas. Que saudade que me deu!!

Bem, já estou me desviando do assunto, portanto, vou deixar para comentar estas lembranças sobre a dinâmica de vida nas ruas da cidade noutra ocasião!!

Então, vamos parar. Sabemos bem dos benefícios terapêuticos que esta paradinha um pouco mais longa, nos trás. Sair da rotina diária, dos horários, dos compromissos que acabamos arrumando – já que estamos na cidade – e daquela série de coisinhas que vamos fazendo para preencher o tempo. E o tempo passando. Então, agora vamos nós!! Nada de muito especial. Neste verão vamos curtir as praias daqui. Vamos para Tramandaí passar uns dias com os avós, que não param de ligar de tanta saudade do Pedrinho, depois vamos passar uns dias em Torres e o carnaval na tranqüila e simpática Salinas, com os queridos amigos e dindos Magrão, Karina & Mari.

Olhando daqui de onde estou, em direção à porta de entrada do meu apartamento, vejo um amontoado – que mais parecem barricadas – de malas e sacolas. Considerando o tamanho da bagagem e a quantidade de coisas que estamos levando, parece que não voltaremos mais para casa. No final das contas, acho que é isto mesmo!! Este bom e necessário sentimento, expresso na quantidade de coisas que levamos, e que reflete o nosso desejo de sair tendo a liberdade de não voltar. Mesmo quando sabemos que sempre voltamos...


Super abraço, boas férias, ótimo carnaval e muito juízo!!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Fórum Romano

O ano foi 2001. Para ser mais exato, 12 de fevereiro de 2001. Foi a primeira vez que visitei Roma e, em especial, o Fórum Romano. Eram 14h e, enquanto esperávamos ansiosos pela chegada dos queridos amigos, Pery e Janise, vindos de Porto Alegre, corremos ao Fórum Romano para saciar uma curiosidade que, naqueles dias que antecederam a nossa chegada, estava me consumindo.


Era o nosso período de férias e tínhamos planejado ao longo do ano um roteiro a partir de Madrid, passando por Barcelona, Roma, Londres e finalizando, em grande estilo, em Paris. Nossa viagem foi muito bem organizada e planejada pela nossa querida amiga Ana Ce. Nada, absolutamente nada, deu errado. Por esta razão sempre que vamos viajar sempre vamos falar com a Ana. Sabe como é: tradição não se muda.

Os nossos amigos se juntariam ao nosso roteiro em Roma, para juntos, a partir dali, seguirmos viagem. Chegamos à Roma, vindos de Barcelona, com poucas horas de antecedência e como cada hora numa terra desconhecida vale ouro quando o tempo é curto, saímos correndo rua à fora para sentir o astral da cidade.

Ficamos hospedado no Grande Hotel Palatino, na Via Cavour, quase em frente à escadaria que dá acesso à Igreja de San Pietro in Víncoli, que contém além das correntes que aprisionaram São Pedro na Prisão Mamertina, a estátua majestosa de Moisés, de Michelangelo.

Sei que foi por minha total insistência que corremos dali, com a ansiedade de uma criança, em direção ao Coliseu, pela Via degli Annibaldi, tendo a agradável surpresa da conhecida e bela perspectiva vista dali em direção ao Coliseu.

Um pouco mais de 800 metros separam o centro do Coliseu do centro da Piazza Del Campidoglio. No entanto, neste pequeno pedaço de terra, quase 1.000 anos separam a primeira da última construção. Lembro do meu espanto diante do conhecimento do tamanho desta gleba. Nos meus pensamentos e na leitura que eu fazia dos mapas – antes do Google Earth – eu tinha a sensação de que o território fosse bem maior. Depois tomei conhecimento – o que atenuou o impacto inicial – de que o Fórum era na realidade uma sucessão de vários fóruns erguidos pelos imperadores ao longo do tempo.

Sei que a emoção que senti, em grande parte, foi motivada pela lembrança dos livros de história ainda da época da escola, em especial aquele livreto clássico – que muitos trazem de suas viagens – contendo as fotos atuais sobrepostas por lâminas transparentes mostrando o esplendor das construções em sua época áurea. Quase que diariamente, nos intervalos das aulas da escola fundamental – eu corria para a biblioteca para ficar olhando estas imagens fantásticas do passado e do presente desta gloriosa civilização.

Algum tempo depois, ao longo da faculdade de arquitetura e urbanismo, a simpatia e predileção por esta cidade foi crescendo gradativamente, na medida em que fui conhecendo um pouco mais de sua história e cultura e fui, também, por exigência disciplinar, estudando alguns dos seus edifícios importantes e exemplares.

Como sabemos, o Fórum foi o centro da vida política, comercial e judiciária da antiga cidade. As basílicas eram os prédios maiores, onde eram discutidas as questões jurídicas. Segundo o dramaturgo Plauto, esta área da cidade atraía muitos ‘advogados e litigantes, banqueiros e corretores, comerciantes, prostitutas e vadios’ esperando por uma gorjeta dos mais abastados.

À medida que crescia a população de Roma, o Fórum tornou-se muito pequeno e em 46 a.C., Júlio César construiu outro, estabelecendo um precedente seguido pelos imperadores, de Augusto a Trajano.

Nesta pequena gleba, a leste, o imperador Vespasiano ergueu o Coliseu (72 d.C.), centro de entretenimento para depois do trabalho, assim como outros tantos imperadores ergueram, para si mesmos, arcos triunfais.

Uma das vistas mais espetaculares, a oeste, podemos ter a partir da área de fundos do Campidoglio. Deste ponto de vista podemos observar o traçado da via principal com suas várias edificações.

Ainda é possível se ver as ruínas do Templo de Júlio César, que foi erguido por Augusto em sua homenagem no local de cremação de seu corpo após seu assassinato em 44. a.C. O mais surpreendente é ver que neste local, coberto por uma atual estrutura em madeira com duas águas, as pessoas ainda acendem velas e deixam flores e oferendas, como que referenciando o imperador.

Até o século 18, quando se iniciaram as escavações arqueológicas, o Arco de Sétimo Severo (203 d.C.) e as colunas do templo de Saturno (século 4 d.C.) estavam semi-enterradas. Reza a lenda que sob o arco central desta construção, no século 19, funcionava uma barbearia. É muito bonito de ver as constantes escavações e catalogações de todos os achados, marcados por singelas e visíveis pequenas etiquetas de papel.

Caminhei várias vezes neste local histórico e sagrado ao longo deste breve período que estivemos em Roma. Entre um passeio e outro, ou ainda, quando o nosso pequeno e seleto grupo de viagem se dissipava ou optava por outros roteiros, eu fugia do hotel e corria para o Fórum. Não era muito difícil saber onde eu poderia estar naqueles breves momentos de sumiço em Roma: bastava me procurar no Fórum.

De Roma fomos ainda para Londres e finalizamos o nosso passeio em Paris, onde comemoramos em grande estilo o aniversário das nossas mulheres (a Narinha e a Janise fazem aniversário no dia 26 de fevereiro). Desnecessário dizer que em todas as cidades que fomos, desde que saímos de Roma, fomos surpreendidos pelas belezas de cada lugar, mas não posso deixar de dizer que ao longo do restante da viagem Roma ficou no meu coração. Onde ainda está até hoje.

Voltamos à Roma em 2003 (acho que trouxe de lá o Pedrinho na bagagem), noutra breve e divertida viagem de férias e, é claro, voltei ao Fórum para ver se todos aqueles prédios e suas pedras soltas pelo sítio ainda estavam lá. Que bom, ainda estavam. E voltei, também, para ver se eu tornaria a sentir o que senti pela primeira vez. Então, descobri que se tratava de amor verdadeiro, pois ali estando experimentei a agradável sensação de não querer estar em nenhum outro lugar.

Evolucionismo

A teoria da evolução, também chamada evolucionismo, afirma que as espécies animais e vegetais, existentes na Terra, não são imutáveis. Alguns pesquisadores afirmam que as espécies sofrem, ao longo das gerações, uma modificação gradual que inclui a formação de novas raças e de novas espécies. Depois da sua divulgação, tal teoria se transformou em fonte de controvérsia, não somente no campo científico, como também na área ideológica e religiosa em todo o mundo.

Até o século XVIII, o mundo ocidental aceitava com muita naturalidade a doutrina do criacionismo. De acordo com essa doutrina, cada espécie animal ou vegetal teria sido criado independentemente por ato divino.

O pesquisador francês Jean-Baptiste Lamarck foi um dos primeiros a negar esse postulado e a propor um mecanismo pelo qual a evolução se teria verificado. A partir da observação de que fatores ambientais podem modificar certas características dos indivíduos, Lamarck imaginou que tais modificações se transmitissem à prole: os filhos das pessoas que normalmente tomam muito sol já nasceriam mais morenos do que os filhos dos que não tomam sol.

A necessidade de respirar na atmosfera teria feito aparecer pulmões nos peixes que começaram a passar pequenos períodos fora d'água, o que teria permitido a seus descendentes viver em terra mais tempo, fortalecendo os pulmões pelo exercício; as brânquias, cada vez menos utilizadas pelos peixes pulmonados, terminaram por desaparecer.

Assim, o mecanismo de formação de uma nova espécie seria, em linhas gerais, o seguinte: alguns indivíduos de uma espécie ancestral passavam a viver num ambiente diferente; o novo ambiente criava necessidades que antes não existiam, as quais o organismo satisfazia desenvolvendo novas características hereditárias; os portadores dessas características passavam a formar uma nova espécie, diferente da primeira.

A doutrina de Lamarck foi publicada em Philosophie zoologique (1809; Filosofia zoológica), e teve, como principal mérito, suscitar debates e pesquisas num campo que, até então, era domínio exclusivo da filosofia e da religião. Estudos posteriores demonstraram que, apenas o primeiro postulado do lamarckismo, estava correto; de fato, o ambiente provoca no indivíduo modificações adaptativas; mas os caracteres assim adquiridos não se transmitem à prole.

Em 1859, Charles Darwin publicou The Origin of Species (A origem das espécies), livro de grande impacto no meio científico que pôs em evidência o papel da seleção natural no mecanismo da evolução. Darwin partiu da observação segundo a qual, dentro de uma espécie, os indivíduos diferem uns dos outros. Há, portanto, na luta pela existência, uma competição entre indivíduos de capacidades diversas. Os mais bem adaptados são os que deixam maior número de descendentes.

O darwinismo estava fundamentalmente correto, mas teve de ser complementado e, em alguns aspectos, corrigido pelos evolucionistas do século XX para que se transformasse na sólida doutrina evolucionista de hoje. As idéias de Darwin e seus contemporâneos sobre a origem das diferenças individuais eram confusas ou erradas. Predominava o conceito lamarckista de que o ambiente faz surgir nos indivíduos novos caracteres adaptativos, que se tornam hereditários.

Um dos primeiros a abordar experimentalmente a questão foi o biólogo alemão August Weismann, ainda no século XIX. Tendo cortado, por várias gerações, os rabos de camundongos que usava como reprodutores, mostrou que nem por isso os descendentes passavam a nascer com rabos menores. Weismann estabeleceu também a distinção fundamental entre células germinais e células somáticas.

As mutações, as recombinações gênicas, a seleção natural, as diferenças de ambiente, os movimentos migratórios e o isolamento, tanto geográfico como reprodutivo, concorrem para alterar a freqüência dos genes nas populações de animais e são, assim, os principais fatores da evolução.

Duas raças geograficamente isoladas evoluem independentemente e se diversificam cada vez mais, até que as diferenças nos órgãos reprodutores, ou nos instintos sexuais, ou no número de cromossomos, sejam grandes a ponto de tornar o cruzamento entre elas impossível ou, quando possível, produtor de prole estéril. Com isso, as duas raças transformam-se em espécies distintas, isto é, populações incapazes de trocar genes. Daí por diante, mesmo que as barreiras venham a desaparecer e as espécies passem a compartilhar o mesmo território, não haverá entre elas cruzamentos viáveis. As duas espécies formarão, para sempre, unidades biológicas estanques, de destinos evolutivos diferentes.

Se, entretanto, o isolamento geográfico entre duas raças é precário e desaparece depois de algum tempo, o cruzamento entre elas tende a obliterar a diferenciação racial e elas se fundem numa mesma espécie, monotípica, porém muito variável. É o que está acontecendo com a espécie humana, cujas raças se diferenciaram enquanto as barreiras naturais eram muito difíceis de vencer e quase chegaram ao ponto de formar espécies distintas; mas os meios de transporte, introduzidos pela civilização, aperfeiçoaram-se antes que se estabelecessem mecanismos de isolamento reprodutivo que tornassem o processo irreversível. Os cruzamentos inter-raciais tornaram-se freqüentes e a humanidade está-se amalgamando numa espécie cada vez mais homogênea, mas com grandes variações.

Populações que se intercruzam amplamente apresentam pequenas diferenças genéticas, mas as populações isoladas por longo tempo desenvolvem diferenças consideráveis. Em teoria, raças são populações de uma mesma espécie que diferem quanto à freqüência de genes, mesmo que essas diferenças sejam pequenas. A divisão da humanidade em determinado número de raças é arbitrária; o importante é reconhecer que a espécie humana, como as demais, está dividida em alguns grupos raciais maiores que, por sua vez, se subdividem em raças menos distintas, e a subdivisão continua até se chegar a populações que quase não apresentam diferenças.

As subespécies representam o último estádio evolutivo na diferenciação das raças, antes do estabelecimento dos mecanismos de isolamento reprodutivo. São, portanto, distinguíveis por apresentarem certas características em freqüência bem diferentes. Não se cruzam, por estarem separadas, mas são capazes de produzir híbridos férteis, se colocadas juntas.

Por esse critério, que é o aceito pela biologia moderna, os nativos da África e da selva amazônica, por exemplo, são raças que atingiram plenamente o nível de subespécies. O mesmo pode-se dizer dos italianos e os esquimós etc., mas não há grupos humanos que se tenham diferenciado em espécies distintas, pois espécies são grupos biológicos que não se intercruzam habitualmente na natureza, mesmo quando os indivíduos habitam o mesmo território.

Charles Darwin

Charles Darwin, naturalista inglês, nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury. Robert Darwin, seu pai, era Físico, filho de Erasmus Darwin, poeta, filósofo e naturalista. A mãe de Charles, Susannah Wedgood Darwin morreu quando ele tinha oito anos de idade.

Com dezesseis anos, Darwin deixou Sherewsbury para estudar medicina na Universidade de Edinburgh. Repelido pelas práticas cirúrgicas sem anestesia (ainda desconhecida na época), Darwin parte para a Universidade de Cambridge, com o objetivo (imposto pelo seu pai) de tornar-se clérigo da Igreja da Inglaterra.

A vida religiosa não lhe agrada e em 31 de dezembro de 1831 ele aceita o convite para tornar-se membro de uma expedição científica a bordo do navio Beagle. Assim, Darwin passa cinco anos (1831 a 1836) navegando pela costa do Pacífico e pela América do sul. Durante este período, o Beagle aportou em quase todos os continentes e ilhas maiores à medida que contornava o mundo, inclusive no Brasil.

Darwin fora chamado para exercer as funções de geólogo, botânico, zoologista e homem de ciência. Esta viagem foi uma preparação fundamental para a sua vida subseqüente de pesquisador e escritor.

Tanto é verdade que na introdução de seu livro ele assim se refere:

"as relações geológicas que existem entre a fauna extinta da América meridional, assim como certos fatos relativos à distribuição dos seres organizados que povoam este continente, impressionaram-me profundamente quando da minha viagem a bordo do Beagle, na condição de naturalista. Estes fatos (...) parecem lançar alguma luz sobre a origem das espécies (...) julguei que, acumulando pacientemente todos os dados relativos a este assunto e examinando-os sob todos os aspectos, poderia, talvez, elucidar esta questão".

Em todo o lugar, Darwin reunia grandes coleções de rochas, plantas e animais (fósseis e vivos) enviadas à sua pátria. Imediatamente, após seu regresso à Inglaterra, Darwin iniciou um caderno de notas sobre a evolução, reunindo dados sobre a variação das espécies, dando assim os primeiros passos para a Origem das Espécies.

No começo, o grande enigma era explicar o aparecimento e o desaparecimento das espécies. Assim surgiram, em sua cabeça, várias questões:

- Por que se originavam as espécies?
- Por que se modificavam com o passar dos tempos, diferenciavam-se em numerosos tipos e freqüentemente desapareciam do mundo por completo?


A chave do mistério Darwin encontrou casualmente na leitura: "Ensaio sobre a População", de Malthus. Depois disso, nasceu à famosa doutrina darwinista da seleção natural, da luta pela sobrevivência ou da sobrevivência do mais apto - pedra fundamental da Origem das Espécies.

As pesquisas feitas durante a viagem abordo do Beagle é que fundamentaram sua Teoria da Evolução, servindo de base para o famoso livro Origem das Espécies. A obra foi publicada em 1859, sob o bombardeamento das controvérsias – o que era muito natural: Darwin estava mudando a crença contemporânea sobre a criação da vida na Terra.

No livro Origem das Espécies, Darwin defende duas teorias principais: a da evolução biológica - todas as espécies de plantas e animais que vivem hoje descendem de formas mais primitivas - e a de que esta evolução ocorre por "seleção natural".

Os princípios básicos da teoria sobre a evolução de Charles Darwin, apresentados na Origem das Espécies, são quase que universalmente aceitos no mundo científico, embora existam controvérsias em torno deles. A Origem das Espécies demonstra a atuação do princípio da seleção natural ao impedir o aumento da população. Alguns indivíduos de uma espécie são mais fortes, podem correr mais depressa, são mais inteligentes, mais imunes à doença, mais agressivos sexualmente ou mais aptos a suportar os rigores do clima do que seus companheiros. Estes sobreviverão e se reproduzirão, enquanto os mais fracos perecerão.

No curso de muitos milênios, as variações levaram à criação de espécies essencialmente novas. Após a publicação de sua obra mais famosa, Darwin continua a escrever e publicar trabalhos na área da Biologia por toda a sua vida. Ele passa a viver, com sua esposa e filhos, em Downe, um vilarejo a 50 milhas de Londres. Sofre de síndrome do pânico e mal-de-Chagas, o último adquirido durante sua viagem pela América do Sul. A morte chega em 19 de abril de 1882. Charles Darwin é sepultado na Abadia de Westminster.

Fonte: http://www.pensador.info/autor/Charles_Darwin/biografia/