quinta-feira, 7 de maio de 2015

21 de Agosto de 2015

Queridos alunos do TCCII da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PucRS, foi com imensa alegria e surpresa que recebi ontem o honroso convite para ser o paraninfo da 29ª turma, na solenidade de formatura que ocorrerá dia 21 de agosto de 2015. Não existe maior distinção acadêmica que um professor possa receber que a honraria de participar deste importante ritual de passagem, conduzindo-os da vida acadêmica para a vida profissional. Isto é um elo que nos unirá profissionalmente para sempre.

Vocês muito bem observaram, no belo texto que foi lido ontem pela comissão de formatura (ver texto anexo), que não é a primeira vez que recebo esta homenagem. Mas devo dizer que a emoção é sempre única! Não apenas por se tratar de uma nova turma, ou pela oportunidade singular de me reciclar com a diversidade dos seus tantos projetos, ou ainda pelo prazer imensurável de me alimentar e renovar com a energia vibrante que habita o coração dos estudantes de arquitetura – com seus desejos revolucionários – mas, principalmente, pelo impacto positivo deste convite quando associado ao momento íntimo e pessoal diante da vida sempre dinâmica e em constante transformação.



Este convite vem em boa hora!

Num momento de muitas e contínuas reflexões profissionais e pessoais. A atividade docente é uma experiência apaixonante, mas repleta de altos e baixos. De um lado o prazer do convívio com todos vocês e a oportunidade de participar da revisão e da reconstrução ética da nossa sociedade - tão carente das nossas ações - pela visão transformadora dos seus projetos. De outro, pelo enfrentamento diário das dificuldades impostas por um mercado exageradamente capitalista que transformou de maneira acrítica e massificada a formação universitária em mercadoria, passando por cima de questões pertinentes às reais demandas da sociedade tão carente dos efeitos benéficos do ofício da arquitetura e urbanismo. Talvez, também por esta razão, vemos as nossas cidades crescendo desordenadamente sem o adequado e criterioso planejamento e com novas edificações e espaços privados e públicos desprovidos de qualidade. Muita construção e pouca arquitetura e urbanismo. Muito temos discutido isso nos diversos ateliês de nossa escola. Portanto, como vocês podem constatar, não são poucas as vezes que, diante de tantas barreiras e dificuldades, vamos nos perguntando se estamos agindo certo e, até mesmo, se estamos no caminho correto. Com o reconhecimento de vocês, com aquela emocionante homenagem de ontem, posso presumir que estamos juntos trilhando um bom caminho.


Foto: Daniel Pitta Fischmann

Por isso digo-lhes que esta homenagem vem em ótima hora!! Funcionando como um grande e fortalecedor estímulo para seguir em frente. Tenham a certeza que tomarei este convite como uma carga rápida de energia positiva para continuar participando ativamente na Universidade, no escritório e na política profissional, defendendo sempre os princípios fundamentais do nosso ofício.

De coração, muito obrigado por esta homenagem!
Um abraço carinhoso e fraterno!
Contem sempre comigo!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Por que contratar um arquiteto?

Vilanova Artigas

Carta ao cliente

Confesso que não me assustei muito ao ler sua carta contando o resultado da conferência para autorização de um projeto para o São Lucas. Estas coisas acontecem sempre porque, por falta de costume, quem constrói, nem sempre avalia o plano de como deveria fazê-lo. Se eu insisto em aconselhá-lo mais uma vez para que consiga um arquiteto para dirigir os trabalhos de seu hospital, não é somente porque desejo muito trabalhar para um hospital modelo, mas porque, e principalmente porque, não posso crer que uma obra, da importância da sua, possa nascer sem estudo prévio. É prática brasileira fazer as coisas sem plano inicial perfeitamente elaborado; quando se pergunta sobre como ficarão estes e aqueles pormenores, a resposta é sempre a mesma: "Ah! Isso depois, na hora, veremos".



Assim fazem-se as casas, os prédios, as cidades; nesse empirismo vive a lavoura, a indústria e o próprio governo. O planejamento, mercadoria altamente valorizada em todo mundo para qualquer realização, não encontrará entre nós o ambiente propício enquanto nós moços não nos capacitarmos da sua necessidade imprescindível. Poderia continuar conversando com você sobre a grande vantagem de planejar com antecedência, até amanhã, sem esgotar todos os argumentos e provavelmente terminaria por dizer que é até demonstração de patriotismo e inteligência. Mas com isso não convenceríamos ninguém; talvez muito mais vantajoso seria confinar a discussão entre os limites das vantagens particulares, individuais de aplicar o método.

Então vejamos. A pergunta é sempre a mesma: ”Que vantagem poderíamos ter em gastar CR$ 65.000,00 em um projeto somente? O projeto não é o prédio; muito pelo contrário, somente uma despesa a mais! Contratando a construção o projeto viria de graça, feito pelo próprio construtor e nós economizaríamos 5% sobre o valor do prédio. Com esses 5%, no caso de querermos gastá-lo, até poderíamos melhorar algumas condições do edifício; enriquecer alguns materiais, etc.” Garanto que os argumentos acima lhe foram expostos mais de uma vez. São os que sempre vejo empregados em ocasiões dessas e nunca mudam. São também os mais fáceis de rebater e os menos inteligentes.

Senão, vejamos: "O projeto sempre custa alguma coisa". O construtor que o fizer terá, sem dúvida, que empregar engenheiros e desenhistas para isso. Terá de empregar gente para calcular concreto, para calcular aquecimento, eletricidade, etc. O construtor cobrará essa despesa do proprietário através da comissão para a construção. Tanto isso é verdade que, se você apresentar aos construtores um projeto completamente pronto, ele cobrará percentagem menor para a construção porque dirá, "não terei despesas no escritório". Suponhamos que a taxa de honorários para a construção seja de 10 a 12%, inclusive o projeto. Se você der o projeto, encontrará quem lhe faça por 6 ou 8%. Daí você conclui que o projeto que você pagou ao arquiteto 5%, já representa nessa ocasião somente 1% ou 2% a mais do que o preço geralmente previsto.

Mas eu desejo provar que o plano geral, feito com antecedência, é economia e não despesa. Então vamos continuar. Ninguém pode negar, nenhum construtor, nenhum cliente, que o projeto feito pelo técnico, contém em si uma previsão maior dos diversos detalhes do que o projeto rabiscado pelo construtor e verificado pelo proprietário. Faça uma experiência. Tome um plano que esteja em início de construção e pergunte a quem o dirige: "Por onde passam os canos de aquecimento? Por onde passam os canos de esgoto? O senhor vai fazer antes isso ou aquilo?" Garanto que não sabem.

Responderão: "Provavelmente passarão por aqui ou ali, farei isto ou aquilo antes". Se na ocasião de executar um serviço, verificar-se um contratempo qualquer, um cano que não pode passar porque tem uma porta, um esgoto vai ficar aparecendo no andar de baixo; o construtor resolve em função do problema, no momento. Ele dá voltas com o cano ou faz um forro falso para esconder o esgoto que iria aparecer em baixo. Entretanto se isso tivesse sido previsto, não precisaria de forro falso ou qualquer outra coisa. No papel, teria sido procurada e encontrada a solução mais econômica, para o caso, a mais bonita.

Consulte um construtor experimentado ou alguém que já tenha construído e todos serão unânimes em contar-lhe pequenas calamidades que apareceram. Eu já ouvi diversas vezes, por exemplo: "Quando colocamos as fundações no terreno nós vimos que o quarto ficaria enterrado. Então levantamos as fundações mais cinquenta centímetros para dar certo. Por isso deu uma escada na entrada e ficou com um porão, etc". Se você calcular quanto mais caro ficou a imprevisão, você verá a vantagem de ter um projeto estudado. O arquiteto teria dado uma disposição diferente nos cômodos de maneira que o tal quarto não ficasse enterrado, sem ter que aumentar as fundações e assim economizaria o dinheiro com o qual se faria pagar.

Se o proprietário não ganhasse nada, ainda teria para si uma solução melhor e um motivo para valorizar seu imóvel. O construtor, por exemplo, não projetaria as instalações elétricas. Ele chamaria um instalador "prático" e o homem disporia a coisa à sua vontade. Usaria os canos que ele quisesse e os fios que achasse melhores. Bem curioso, não é? Poucos entendem disso e ninguém iria fiscalizar o homem. Acontece, porém que os fios, quando são fios demais em relação à corrente que transportam, dão muitas perdas, e essas se traduzem em despesa mensal maior de energia para você durante os 50 ou 100 anos de funcionamento do hospital; assim você pagaria 100 vezes um bom projeto de distribuição de eletricidade. Estou apenas repetindo casos cotidianos.

Do funcionamento do hospital ainda mais, o construtor provavelmente não entende e nem terá tempo suficiente para estudar. Ele não é especializado em hospitais porque isto é Brasil e depois não estudam porque não é o seu "métier". Ora, assim sendo, ele vai confiar em você. Você conhece hospitais já feitos e em funcionamento, como hospitais, não como construções. Os seus preconceitos, a respeito, o construtor repetirá com o dinheiro de seu bolso. As soluções que, para alguns casos que você viu, são soluções econômicas poderão constituir soluções caríssimas, no seu caso. Rematando, sua casa de saúde não teria o melhor aspecto porque faltou um artista.

Arquitetura é construção e arte. Arte. Arte não tem livro de regulamento que ensine. Nasce dentro de cada um e desenvolve-se como conjunto de experiências. Procure um homem que possa dar à sua casa de saúde, além das características de um hospital eficiente pelo perfeito planejamento das diversas sessões, um valor artístico indiscutível. O valor artístico é um valor perene, enorme, inestimável. É um valor sem preço e sem desgaste. Pelo contrário, aumenta com os anos à proporção que os homens se educam para reconhecê-lo. O valor artístico subsiste até nas ruínas. Os anos correm e desgastam o material, enquanto valorizam o espiritual.

Com a consciência limpa termino minha proposta. Está em suas mãos a responsabilidade de decidir entre os caminhos. De um lado eu me coloco, não só, mas como representante dos arquitetos brasileiros, defendendo a economia, a ordem e acima de tudo, o futuro. De outro lado, me coloca contra o empirismo, a reação, a imprevisão. Qualquer solução que você venha a dar não mudará as relações entre nós, nem sua opinião futura sobre o que acabo de escrever. Se o prédio for bom, bem projetado, bem planejado, por um bom arquiteto, você gostará, todos gostarão; se ele não prestar, se custar muito, se não funcionar, ser for feio ou sem personalidade, sem valor artístico, sem plano nenhum, o resultado será o mesmo. Em todos os dois casos você adquirirá experiência e acabará por trabalhar sempre do meu lado e com os meus argumentos. Nós venceremos sempre como eu queria demonstrar.

Pague pois o que eu pedi. É pouco em relação às vantagens futuras. Ou não pague, e as vantagens serão as mesmas, para a sociedade evidentemente, não para você.
Com um abraço afetuoso do amigo certo,

Vilanova Artigas
São Paulo, julho de 1945

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um projeto de cidade para as pessoas

Tiago Holzmann da Silva é arquiteto e urbanista e presidente do IAB RS.

Cidade para Pessoas é o título de um excelente livro do arquiteto dinamarques Jan Gehl, seguidor dos ensinamentos da jornalista Jane Jakobs que, nos anos 60, já denunciava a desumanização das grandes cidades. Ambos apontam para algumas das propostas que foram implantadas pela nossa convidada Janette Sadik-Khan nas suas experiências exitosas para começar a transformar Nova York em uma cidade para pessoas, como Gehl já havia feito com Copenhague.

Cidade para Pessoas também é o jargão do momento. Assim como a tal sustentabilidade, Cidade para Pessoas virou frase feita e entrou na moda, correndo o risco de perder seu sentido revolucionário original. Repetida com insistência em diversos ambientes, Cidade para Pessoas já virou discurso de político oportunista e está servindo de maquiagem moderninha para as mesmas ações equivocadas de sempre.

Cidade para Pessoas mesmo, não é discurso, é atitude.

Para começar, Cidade para Pessoas exige que estas, as pessoas, sejam mais ouvidas e consultadas sobre o rumo de suas cidades, com um processo de participação democrático e acessível a todos. Para que esta participação seja efetiva os gestores públicos – prefeitos, vereadores, administradores – tem que abdicar da parcialidade e das tradicionais facilidades aos seus financiadores de campanha e buscarem atuar como mediadores e conciliadores dos naturais conflitos entre os diversos grupos de pessoas que legitimamente têm interesses na cidade.

Cidade para Pessoas exige que abandonemos o automóvel como centro das decisões de planejamento e único beneficiário dos projetos urbanos. Cidade para Pessoas exige que tenhamos capacidade de compreender que asfalto, viadutos, automóveis particulares... devem deixar de ser os protagonistas das cidades. Precisamos entender, por exemplo, que a inauguração de um viaduto estaiado de dois andares que já nasce engarrafado é uma insensatez, um desperdício, uma vergonha, e não uma obra para o futuro da cidade.

Os novos protagonistas da Cidade para Pessoas são as calçadas largas e bem pavimentadas e iluminadas, é o transporte coletivo de qualidade e as ciclovias, é o comércio de rua nos bairros, são as praças e parques e espaços de convivência, é a preservação da paisagem e do patrimônio e, claro, as pessoas. Os moradores têm que ser os novos protagonistas da cidade. Esta nova Cidade para Pessoas exige planejamento de longo prazo e projetos de qualidade que devem enfrentar a cultura do improviso, do jeitinho e a ansiedade dos gestores públicos e privados pela inauguração do inacabado que faz uma obra sem projeto, apresasada e mal executada.

Cidade para Pessoas exige um projeto, um Projeto de Cidade. Esta foi a contribuição do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento do Rio Grande do Sul – IAB RS, que recentemente publicou um decálogo, os “10 pontos para um projeto de cidade”, síntese das discussões históricas dos arquitetos e do acúmulo dos seus princípios e propostas para a cidade, que incorpora e amplia os conceitos citados. Ou seja, Cidade para Pessoas não é uma novidade para os arquitetos e recebemos estas experiências exitosas com um enorme cartaz de “eu já sabia”.

Já tivemos a oportunidade de assistir no Fronteiras do Pensamento a Manuel Castells, Zygmunt Bauman, Alain de Botton, Gro Harlem Brundtland, Marshall Berman, Enrique Peñalosa, e agora, em 2015, ouviremos Saskia Sassen e Richard Sennett, todos grandes pensadores da cidade contemporânea. Conhecemos bem esta gente toda, são nossos gurus. Asssitiremos também a Janette Sadik-Khan com atenção, para entender melhor seus ensinamentos e aprender com sua boa experiência de Nova York. E também vamos torcer para encontrar por lá, entre os ouvintes, nossos gestores públicos e investidores privados, esperando que estes também estejam atentos ao que a conferencista tem a dizer e comecem a compreender melhor e, principalmente, a praticar a Cidade para Pessoas - ou vamos precisar desenhar para que eles entendam

sábado, 18 de abril de 2015

TCCII - FauPucRS

PAINEL DE ANTEPROJETO

Terá início no dia 19/05, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PucRS, a segunda série de painéis do Trabalho de Conclusão de Curso II, referente a etapa de Anteprojeto. Nesta etapa do semestre contaremos com a valiosa participação dos professores da Faculdade de Engenharia da PucRS (Feng) como componentes das bancas.

Painéis: de 19/05 à 29/05 - Salas 215 e 217

19/05
TERÇA-FEIRA

16:00h DOUGLAS ANDRIGHI
17:00h PRISCILA BREYER DE OLIVEIRA
18:00h RACHEL BERRUTTI P. DA CUNHA
Profa. Arqa. Camila Fujita
Prof. Daniel Pitta Fischmann


19:30h BRUNA PASTRE
20:30h DANIELE VOTO DA SILVA
21:30h DEBORA MALLMANN BARDEN
Prof. Arq. Carlos Alberto Hubner
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


20/05
QUARTA-FEIRA

13:30h GIORDANA RABAIOLLI BRUM
14:30h OLGA MALLMANN DORNELLES
15:30h TATIANA LAUREANO APOLINARIO
Profa. Arqa. Cassandra Coradin
Prof. Daniel Pitta Fischmann


21/05
QUINTA-FEIRA

17:00h BRUNO RHODEN SINDERMANN
18:00h MARCOS VINICIOS LEONHARDT
Prof. Arq. Flávio Kiefer
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


22/05
SEXTA-FEIRA

14:00h BRUNA KOHLER
15:00h MAURICIO MIRANDA E. DA ROSA
16:00h SABRINA CESTARI C. DA CUNHA
Prof. Arq. José Carlos Marques
Prof. Daniel Pitta Fischmann


17:00h CLAUDIA GARCIA GONZALEZ
18:00h LUIZA MORAES BOENI
Prof. Arq. Luis Carlos Macchi
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


25/05
SEGUNDA-FEIRA

19:30h CAMILA BARBATO RADICI
20:30h MAIRA VELHO SARAIVA
Profa. Arqa. Maria Dalila Bohrer
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


26/05
TERÇA-FEIRA

14:00h DANIEL WEBER
15:00h PRISCILA CARVALHO DA SILVA
Prof. Arq. Marcelo Martel
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


16:00h GIULIA BRISSAC TARASCONI
17:00h JANAINA GHIGGI
18:00h KATIA FINKLER POSTAY
Profa. Arqa. Cibele Figueira
Prof. Daniel Pitta Fischmann


28/05
QUINTA-FEIRA

16:30h GUILHERME DE CASTILHOS
17:30h TAMIRES GOMES SILVEIRA
18:30h VITOR DOS S. VENDRUSCOLO
Prof. Arq. Luiz Alberto Aydos
Prof. Arq. Paulo Ricardo Bregatto


29/05
SEXTA-FEIRA

16:30h ANDRE MARMI
17:30h LENA MICHELE HOFFMANNTT ZAMBELI
18:30h VALESCA GOULART MENEGHINI
Prof. Arq. Paulo Cesa
Prof. Daniel Pitta Fischmann

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Iab e a conjuntura brasileira

Reunida no final de março em João Pessoa, a Direção Nacional do IAB resolveu divulgar nota sobre o atual cenário da política nacional, lembrando, mais uma vez, a defesa de uma de suas principais bandeiras: o projeto completo como instrumento em favor da transparência nos gastos públicos. A nota também reafirma o compromisso da entidade com a democracia e o direito à cidade e rechaça, enfaticamente, vozes golpistas. Leia a nota na íntegra:

O IAB E A CONJUNTURA BRASILEIRA

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), entidade de representação de arquitetos e urbanistas brasileiros, com noventa e quatro anos de história, constituída em todos os Estados da Federação e um dos responsáveis pela introdução do tema da Reforma Urbana no país, no contexto do momento político brasileiro, reafirma seu compromisso histórico com as instituições democráticas e republicanas, o Direito à Cidade e o bem-estar do povo brasileiro.

O IAB apoia e se solidariza com as iniciativas que visam ampliar as conquistas sociais, qualificar a representação política, a transparência nos gastos públicos e a construção de cidades mais justas e democráticas - e rechaça enfaticamente quaisquer vozes golpistas. Defendemos a apuração ampla das ocorrências de corrupção e a punição de todos os responsáveis pelos malfeitos, independente de sua origem partidária, pública e privada.

O IAB é convicto que um dos fatores que determinaram as dificuldades da atual situação do país é a ausência de Planejamento e de Projetos Completos para as obras públicas, o que estimula a corrupção, aumenta custos de execução e resulta em obras de baixa qualidade.

Os Planos e Projetos também devem ser vistos como instrumentos de ampliação da transparência. Quando a obra pública é licitada a partir apenas do chamado "projeto básico", ou somente com uma planilha financeira, transfere-se à construtora vencedora da licitação a tarefa de detalhar e completar o projeto. Tal promiscuidade é indutora de reajustes e superfaturamento, e fator estimulante da corrupção.

Assim, o Instituto de Arquitetos do Brasil reafirma a sua convicção no valor das instituições estáveis e democráticas, condição indispensável para garantir aos cidadãos brasileiros o Direito à Cidade, alcançar o desenvolvimento, a inclusão social e o bem-estar da população.

João Pessoa, 30 de março de 2015.
Direção Nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil