sábado, 21 de junho de 2014

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Estoril, outubro, 1939

http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/musica/cancoes/soneto-de-fidelidade

terça-feira, 17 de junho de 2014

TCCII - BANCAS FINAIS

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PucRS

02/07
QUARTA-FEIRA
14:00h - Abertura oficial
14:30h - Kétlyn Schuh
15:30h - Natan Arend
16:30h - Roberta Diniz
18:00h - Barbara Scolaro
19:00h - Gustavo Mariath
20:00h - Rafaela Furtado

03/07
QUINTA-FEIRA
14:00h - Carolina Grespan
15:00h - Laura Emerin
16:00h - Mariana Pianezzola
18:00h - Milena Lino Rocha
19:00h - Paula Jaskulski
20:00h - Matheus Schmidt

07/07
SEGUNDA-FEIRA
09:00h - Maurício Piccoli
10:00h - Natália Dini
11:00h - Rafaela Pasinatto
14:00h - Dirceu de Oliveira Filho
15:00h - Lara Litvin
16:00h - Livia Lopes
18:00h - Fábio Albano
19:00h - Lucas Burmann
20:00h - Natalia Eifler

10/07
QUINTA-FEIRA
14:00h - Luis Jeronimo da Silva
15:00h - Pâmela Kolberg
16:00h - Vitória Coutinho
18:00h - Eneli de Souza
19:00h - Giovana Gheler
20:00h - Luciani Konzen

11/07
SEXTA-FEIRA
14:00h - Bernard Beier
15:00h - Bruno Dillemburg
16:00h - Carolina Biolchi
18:00h - Dafne de Oliveira
19:00h - Milena Schuster
20:00h - Ronald Franco Filho

14/07
SEGUNDA-FEIRA
14:00h - Aline Boschetti
15:00h - Juliana Jaskulski
16:00h - Letícia Spezia
18:00h - Amanda Ferreira
19:00h - Caroline Carrion
20:00h - Katherine Costa

15/07
TERÇA-FEIRA
09:00h - Diego Oliveira dos Santos
10:00h - Luiza Caberlon
11:00h - Suyê Zuchetti
14:00h - Maxmiliano Mendes
15:00h - Michele Guedes
16:00h - Letícia Triaca
18:00h - Bruna Schuster
19:00h - Juliana Abbud
20:00h - Sandra Dalla Rosa

16/07
QUARTA-FEIRA
14:00h - Jessika Fillipo
15:00h - Rafael Vieira
16:00h - Silvana Jaeger
18:00h - Paola Maia Fagundes
19:00h - Rodrigo Flores
20:00h - Tatiene John

Observações:

No dia da abertura oficial (02/07) todos os alunos deverão estar presentes na sala 215 às 13:30h para assinatura da ata de abertura das bancas. Nos demais dias, os alunos deverão estar presentes em sala de aula 15 minutos antes do início da primeira apresentação para assinatura da ata de participação do painel, portando todos os elementos que serão apresentados no trabalho.

Cada aluno terá 15 minutos para apresentar seu trabalho e os membros da banca mais 40 minutos para as devidas considerações (55 minutos no total + 5 minutos para organização do material para a apresentação seguinte).

Os trabalhos ficarão retidos na FauPucRS até o próximo semestre (pranchas e maquetes).

O aluno poderá contar, se assim desejar, com recursos digitais adicionais (data-show) para apresentação de animações. Todo o material (imagens, desenhos, diagramas, etc.) apresentado com recursos digitais deve estar contido no conjunto de pranchas. O aluno que for utilizar este recurso deverá solicitar antecipadamente o equipamento para os professores supervisores.

A apresentação final será composta de:

Um jogo de pranchas abertas no sentido vertical, no formato A0 (1189 x 841 mm), em quantidade de 8 pranchas (não serão aceitos trabalhos formatados em maior ou menor número de pranchas). Estas pranchas deverão estar dispostas lado a lado, quando da apresentação final, formando um painel único (conforme suporte da sala 215).

As pranchas devem ser plotadas em papel sulfite simples, sem brilho e sem laminação. O selo de identificação deverá estar colocado somente na parte inferior da prancha A0 e não poderá ser alterado no que se refere ao leiaute, fontes, tamanho e cor. As pranchas deverão ser numeradas da seguinte maneira: 01/08, 02/08, ..., 08/08.

Um jogo de pranchas impressas em tamanho reduzido no formato A2 (594 x 420 mm), com a reprodução fiel das pranchas em formato A0. Estas pranchas deverão ser laminadas. As pranchas serão utilizadas para a montagem da exposição no saguão da FauPucRS. A montagem da exposição é parte integrante da entrega final e é de responsabilidade do aluno.

Dois jogos de pranchas impressas em tamanho reduzido no formato A3 (420 x 297 mm), com a reprodução fiel das pranchas em formato A0. Estas pranchas não deverão ser laminadas. As pranchas serão encaminhadas para os componentes da banca examinadora final.

Uma maquete do projeto com detalhes que expressem as qualidades da proposta. Esta maquete deverá ser apresentada somente no dia da banca do aluno.

Um cd/dvd contendo os arquivos digitais das pranchas em formato *.pdf ou *.jpg, com resolução gráfica de no mínimo 600 dpi.

A divulgação dos conceitos ocorrerá no dia 17/07/2014, às 14h, na sala 215.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Revista Espaço IAB-RS

IAB-RS lança Revista Espaço no dia 11 de junho

Uma revista cultural com foco no debate e informação para toda a sociedade, através de linguagem acessível e com pautas sobre arquitetura, urbanismo, cidade e cultura de interesse geral, além de um guia de produtos e serviços. Essa é a proposta do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS) para a Revista Espaço, que será lançada dia 11 de junho, às 19h30min, no Solar do IAB (Rua General Canabarro, 363, Centro Histórico de Porto Alegre).

O evento também contará com a abertura de exposição dos projetos premiados no Concurso de Arquitetura para Expansão da sede do Sindicato dos Engenheiros do RS (SENGE-RS) e contará com convidados do meio empresarial, político e imprensa.

Com tiragem de 12 mil exemplares e com estimativa de 30 mil leitores, a Revista Espaço será distribuída via Correios, e chegará ao endereço de mais de nove mil arquitetos e urbanistas em atividade no RS.

“A publicação do IAB-RS traz matérias e notas sobre arquitetura e urbanismo no RS, no Brasil e no mundo, sob o ponto de vista dos profissionais da área”, informa Tiago Holzmann da Silva, presidente da entidade. A matéria de capa aborda a Copa do Mundo, fazendo o leitor refletir sobre o evento como “legado ou dívida para cidade”.

A equipe editorial é formada pelos jornalistas Alexandre Haubrich, Luiz Gonzaga e Vicky Furtado. Já o projeto gráfico tem assinatura da Visual Design.

Lançamento da Revista Q+50
Na ocasião, também haverá o lançamento da edição especial da Revista Q+50, do IAB RJ, reunindo ideias, textos e propostas apresentadas nos Seminários de Política Urbana Quitandinha+50, evento comemorativo do cinquentenário do Seminário Nacional de Habitação e Reforma Urbana (SHRU), realizado no Hotel Quitandinha (Petrópolis, RJ) em 1963

"Quarta no IAB"
11 de junho
19h30min
Solar do IAB

domingo, 8 de junho de 2014

O operário em construção

Vinicius de Moraes
Rio de Janeiro, 1959

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/o-operario-em-construcao

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cortador de Pedras

Quando nada parece ajudar,
eu vou e olho o cortador de
pedras, martelando sua rocha
talvez cem vezes sem que
nenhuma só rachadura apareça.
No entando, na centésima
primeira martelada a pedra se
abre em duas, e eu sei que não
foi aquela a que conseguiu, mas
todas as que vieram antes.

Jacob Riis