terça-feira, 31 de maio de 2011

27 de agosto de 2011

Turma,

Foi com muita alegria e emoção que recebi o convite que vocês me fizeram, na semana que passou, para ser o paraninfo desta turma de jovens e bem preparados arquitetos e urbanistas. Sem dúvidas, não existe maior distinção acadêmica que um professor possa receber do que esta. Ser o responsável, no dia da formatura, pela condução de cada um, nesta transição da vida acadêmica, para a vida profissional.

Nesta hora, minha alegria tem um duplo sentido.

Primeiro, pela grande e singular oportunidade que tive de estar com vocês ao longo deste último ano da faculdade onde, desde o ano que passou, no Atelier 1, estivemos juntos discutindo e formulando, a partir dos seus projetos, os rumos da nossa profissão e do ensino de arquitetura. Sem dúvidas, conviver com vocês, com seus sonhos e com seus desejos de transformar este mundo tão desigual, fortaleceu cada vez mais a minha convicção de que é, de fato, possível transformar este mundo tão desgastado dos seus valores éticos e morais a partir das ações responsáveis de cada um. Este alegre e respeitoso convívio nos uniu ao redor de um objetivo comum: olhar o mundo que nos cerca pela lente da nossa profissão e da visão autoral de cada projeto. No caso específico da turma de vocês, um mais dois não são três. São doze! Doze cabeças propondo e pensando em como as cidades poderiam ser bem melhores a partir da viabilização destes projetos de diplomação.

E, em segundo lugar, pelo fato de eu, também, estar fechando junto com vocês um ciclo muito importante em minha vida. Como vocês sabem, este é o meu último semestre na FauUlbra – Canoas. Nesta escola tenho estado há 28 anos. 6 como aluno e 22 como professor. Uma longa, profícua e prazerosa jornada de muito estudo e muito trabalho, tendo sempre aquela alegria renovadora por estar participando da definição dos rumos da nossa profissão e, principalmente, da consolidação da formação de muitos alunos. Além de exercitar e consolidar os fundamentos da arquitetura e do urbanismo tive, ao longo deste período, a oportunidade de aprender, com meus velhos e inesquecíveis mestres e amigos, a arte e a sabedoria do ensinar. Foram anos muito bons... Novos desafios se fazem presentes. Outras tantas jornadas e outros caminhos se abrem. Sei que a saudade desta casa vai bater, mais cedo ou mais tarde. Mas é para frente que se olha e se anda!

Portanto, meus queridos afilhados, tenho muito a lhes agradecer! Vocês ficarão para sempre tatuados no meu coração, assim como a nossa amada escola que será nossa para sempre. Mais uma vez, muito obrigado por esta honraria e por esta bela homenagem! Me sinto plenamente gratificado pela lembrança de vocês!

Um abraço e um beijo carinhoso do Dindo!

domingo, 8 de maio de 2011

Sistema FECOMÉRCIO RS, SESC e SENAC

A Coordenação do “CONCURSO SISTEMA FECOMÉRCIO RS, SESC E SENAC - Concurso Público Nacional de Arquitetura e Urbanismo para o Complexo do Sistema Fecomércio/RS, Sesc e Senac: Plano Diretor, Centro Administrativo, Centro de Convivência, Centro de Eventos e Centro Educacional, em Porto Alegre, RS”, divulga, conforme o item 4.3. do Edital do Concurso, os membros titulares e suplentes da Comissão Julgadora.

A Comissão Julgadora está constituída por 5 (cinco) membros titulares e 2 (dois) suplentes, sendo:

- 3 (três) Arquitetos e Urbanistas titulares indicados pelo Organizador – IAB/RS;
- 1 (um) Arquiteto e Urbanista titular indicado;
- 1 (um) Arquiteto e Urbanista titular indicado pela AsBEA/RS.
- 2 (dois) Arquitetos e Urbanistas suplentes indicados pelo IAB/RS.

Serão membros TITULARES da Comissão Julgadora:

ISIDORO SINGER (UY)
Arquiteto pela Facultad de Arquitectura de la Universidad de la Republica (1969), título revalidado pela UFRGS (1983). Sócio principal da “Isidoro Singer y Asociados” desde 1969. Atividade profissional no Uruguai, Brasil e Paraguai, em muitos casos associado com outros profissionais. Colaborador do escritório Laguarda - Low (Estados Unidos) para o desenvolvimento técnico de projetos. Desenvolve projeto e direção de obras de arquitetura nas áreas da habitação social, edificações e conjuntos edificados, casas, planos de desenvolvimento urbano, edificações industriais, teatros e outros. Entre os trabalhos mais relevantes estão: Conjunto Habitacional Ucovi (1972), o Complexo de Espetáculos Sodre (1988, 1º Prêmio em Concurso Nacional), Plano de Desenvolvimento Urbano do Buceo (1º e 2º planos) e algumas das edificações do mesmo (1995). O tema dos teatros foi desenvolvido em profundidade durante 22 anos, acompanhando as etapas de implantação do Complexo de Espetáculos Sodre e participando em diferentes Congressos. Professor de projetos de arquitetura entre 1971 a 1974 e entre 1984 a 1988 na Universidad de La República. Ex presidente da Comissão Permanente da Ciudad Vieja de Montevidéu. Com participação e premiação em vários concursos, também atuando como coordenador e/ou jurado. Indicado pelo IAB/RS.



ROGÉRIO MALINSKY (RS)
Arquiteto e urbanista UFGRS, com distinção, (1967); Pós Graduação em Planejamento Urbano, Universidade de Edinburgo, Escócia (1973); Estágio em Planejamento de Lazer e Turismo, Scet - Internacional, Paris (1974); Professor da UFRGS de 1980 a 2010. Experiência na área de urbanismo, paisagismo e planejamento, com diversos projetos de praças e espaços públicos em Porto Alegre, co-autor do Parque Marinha do Brasil, coordenador dos projetos Urbanos no III Pólo Petroquímico (1976/82), coordenador de diversos projetos: Porto Seco de Porto Alegre; Sistema de Espaços Abertos de Porto Alegre; Expansão da Cidade de Montenegro; Centro Histórico e expansão da cidade de Triunfo; Acordo entre o Governo Francês, Caixa Econômica Federal e Prefeitura de Porto Alegre, para reabilitação de moradias (2003); “Marina Pública e Píer Dado Bier”; Caminhos dos Parques e Ciclovia (2004) e Plano Diretor de São Gerônimo, RS (2006). Indicado pelo IAB/RS.

PAULO RICARDO BREGATTO (RS)
Arquiteto e urbanista (ULBRA/1988), especialista em Planejamento Urbano e Habitacional (ULBRA/1989), Mestre em Arquitetura (PROPAR-UFRGS/1996), professor Adjunto do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) desde 1989, professor titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter) desde 1990, professor assistente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) desde 1999 e professor do curso de pós-graduação em Expressão Gráfica da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). É membro do conselho fiscal do IAB-RS (biênio 2010/2011). Desenvolve prática privada no escritório BREGATTO Arquitetos Ltda. com participação e premiação em concursos públicos de arquitetura e urbanismo (Centro 24 Horas de Porto Alegre, Corredor Cultural de Porto Alegre e Porto dos Casais). Indicado pelo IAB/RS.

EDSON JORGE ELITO (SP)
Arquiteto FAU Universidade Mackenzie, São Paulo, 1971. Sócio do escritório Elito Arquitetos Associados desde 1998. Professor licenciado da FAU Universidade Braz Cubas, Mogi das Cruzes, SP. Diretor Financeiro da Direção Nacional do IAB, gestões 1989/91 e 2006/07. Conselheiro do COSU do IAB de 1989 a 2007. Ex‐Secretário Geral e Ex Vice-presidente do IAB/SP. Principais projetos: Teatro Oficina, co-autoria com Lina Bo Bardi; Teatro do Colégio
Santa Cruz, co-autoria com J.C. Serroni e Gustavo Lanfranchi; Programa Habitacional Paraisópolis, co-autoria com Joana Fernandes Elito e Cristiane Otsuka Takiy; SESC Santo Amaro, co-autoria com Joana Fernandes Elito e Cristiane Otsuka Takiy; Restauro e Ampliação da Escola Municipal de Astrofísica co-autoria com Joana Fernandes Elito e Cristiane Otsuka Takiy; Programa Habitacional Guarapiranga, SP, co-autoria com Abrahão Sanovicz, João Honório de Mello Filho e Marcos Carrilho. Principais prêmios: Medalha de Ouro na Quadrienal de Praga, 1999, Projetos do Teatro Oficina e Teatro do Colégio Santa Cruz; Prêmio Edifícios Culturais – Teatro da Premiação IABSP 2002 – Teatro do Colégio Santa Cruz; Prêmio Destaque Melhores da Arquitetura – 2010, Escola Municipal de Astrofísica; Prêmio Mundial Habitat Social y Desarrollo da Bienal de Arquitetura de Quito – 2010, Programa Habitacional Paraisópolis. Indicado pelo Sistema Fecomércio / RS.

ANALINO ZORZI (RS)
Arquiteto e urbanista , Unisinos, 1976. Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior, em 1985 pela ULBRA. Conselheiro do CREA-RS entre 1983 e 1986, Coordenador Câmara Arquitetura 84/85 e vice-presidente do CREA-RS em 1985. Ex Professor da ULBRA, UFRGS e UniRitter. Atua profissionalmente na execução de obras desde 1976, com destaque para projetos e obras de restauro. Atualmente é responsável técnico pela empresa KROMA -Incorporação de Construções Ltda. Atualmente é diretor do ICOMOS/RS e associado ao ICOMOS/BR e tem destacada atuação na defesa do patrimônio cultural de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Conselheiro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (2008 / 2009). Conselheiro do IAB-RS (2008/2010). Indicado pela AsBEA/RS.

Serão membros SUPLENTES da Comissão Julgadora:

ANA ROSA SULZBACH CÉ (RS)
Arquiteta e Urbanista (Ritter dos Reis, 1981). Especialização em Urbanismo / Desenho Urbano (Propur/UFRGS 1985). Mestrado em Desenho Urbano - Joint Centre for Urban Design - Oxford Polytechnic (Inglaterra, 1990). Arquiteta da Prefeitura Municipal de Porto Alegre – SMOV / Divisão de Urbanização 1978 - 1987. Profª. Substituta no Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura UFRGS 1996 - 1997. Profª. Adjunta da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS desde 1997. Membro do Conselho Estadual do Instituto de Arquitetos do Brasil / RS - 2008 / 2009 e 2010 / 2011. Indicada pelo IAB/RS.


CRISTIAN MAURÍCIO RIVEROS ILLANES (RS)
Arquiteto e urbanista, UFRGS (2001). Doutorando no Programa de Arquitetura da Universidad de Bio Bio, Chile. Atualmente faz parte do corpo docente da Universidade Luterana do Brasil, nos campi de Torres e Canoas. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Sustentabilidade na Construção, atuando principalmente nos seguintes temas: projeto, meio ambiente, arquitetura vernacular, conforto ambiental, bioclimatismo, permacultura e patrimônio histórico. Atua também como profissional autônomo. Indicado pelo IAB/RS.

Porto Alegre, 06 de maio de 2011.

Comissão Organizadora – Coordenação do ConcursoInstituto de Arquitetos do Brasil
Departamento do Rio Grande do Sul

sábado, 26 de março de 2011

CAU - CreaRS

Transcrevo para divulgação o documento lido pelo colega Arq. David Bondar na última plenária do CREA sobre a Lei do CAU e a atual situação do CREA-RS. Leiam e divulguem!!

MANIFESTAÇÃO DA CÂMARA DE ARQUITETURA
Esclarecimentos referentes à Lei do CAU e à atual situação do CREA-RS
Sessão Plenária Ordinária Nº 1.689
18 de março de 2011

Sr. Presidente,
Caros colegas conselheiros,

A Câmara de Arquitetura do CREA-RS, em nome dos arquitetos gaúchos, agradece a oportunidade de realizar esta manifestação ao plenário do CREA-RS com o objetivo de esclarecer diversas questões referentes à criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo pela Lei Federal 12.378/2010, sancionada pelo então presidente Lula, em 31 de dezembro passado.

Inicialmente, queremos registrar a postura do presidente eng. civil Luiz Alcides Capoani que, mesmo não sendo favorável ao CAU, sempre tratou esta questão com respeito e com a responsabilidade que seu cargo exige. Porém, recentemente tem realizado manifestações, publicadas na Revista do CREA-RS, que não condizem com a realidade dos fatos e tem insistido em atribuir aos arquitetos e ao CAU muitos problemas que são estruturais do Sistema.

Esta postura não é construtiva e pode gerar um ambiente desfavorável à transição e, principalmente, podem causar desnecessário desconforto entre as diversas categorias profissionais abrigadas neste conselho.

A luta dos arquitetos pelo seu conselho próprio tem origem em 1958, antes ainda da Lei 5194. Recentemente, o ano de 1998 é o ponto de partida para uma nova tentativa, quando as cinco entidades nacionais dos arquitetos constituíram-se em Colégio Brasileiro de Arquitetos e passaram a atuar em conjunto: Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas – FNA, a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo – ABEA; a Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas – ABAP; a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – ASBEA e o Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB.

Após um longo período de discussões, o Colégio Brasileiro de Arquitetos concluiu, em 2002, um anteprojeto de lei que foi encaminhado para o Congresso Nacional em 2003 e apresentado pelo Senador José Sarney. O Projeto de Lei 4747 foi aprovado no Senado, foi encaminhado à Câmara onde sofreu alterações, que obrigaram a uma nova aprovação no Senado, que se deu em 2007. Em dezembro deste mesmo ano, o presidente Lula veta o projeto, alegando que a iniciativa de tal matéria – criação de conselho profissional – é inconstitucional por ser de competência exclusiva do Executivo e não do Legislativo. Porém, em seu texto de justificativa de veto reconhece o mérito e a necessidade de criação do CAU, e determina à Casa Civil da Presidência da República a redação de um novo PL com o mesmo teor para reenvio ao Congresso.

O novo Projeto de Lei criando o CAU foi enviado ao Congresso em dezembro de 2008, mesmo ano em que o próprio Confea realizou pesquisa que apontou que 74,1% dos arquitetos brasileiros eram favoráveis á criação do CAU. Durante dois anos o PL 4413 tramitou em 3 Comissões da Câmara Federal, sendo aprovado em todas elas por unanimidade ou, no máximo, com um voto contrário. Foram realizadas diversas audiências públicas oficiais do Congresso, reuniões e seminários de discussão em todo o Brasil, patrocinadas pelas entidades nacionais e por associações locais de arquitetos. Após a aprovação na Câmara, o PL seguiu para o Senado que, por tratar-se de matéria conhecida, também aprovou por unanimidade. Finalmente, e como um de seus últimos atos como Presidente da República, em 31 de dezembro de 2010, o presidente Lula sanciona a “Lei Nº 12.378, que Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil - CAU/BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal - CAUs; e dá outras providências”.

Portanto, quando os atuais dirigentes do Sistema, inclusive, recentemente, e infelizmente, nosso presidente, afirmam que esta Lei foi “aprovada da noite para o dia”, estão, em realidade, procurando justificar a atitude do Confea e dos CREAs que, durante todos estes anos, negaram-se a discutir a real possibilidade de saída dos arquitetos para simplesmente colocarem-se contra e, até mesmo, quando convidados à participação e manifestação pela própria Casa Civil, como ocorreu em 2008, sempre preferiram adotar posição unilateral contrária ao PL e ao diálogo, escolhendo deliberadamente o caminho da indiferença e do boicote ao processo.

Por outro lado, nossa manifestação é explícita no sentido de deixar claro que os problemas atuais do CREA são de total responsabilidade do próprio sistema. A tentativa de atribuir aos arquitetos e à nova Lei os supostos “graves resultados negativos” que o CREA sofrerá em curto prazo apenas refletem, inequivocamente, a falta de planejamento do sistema para esta possibilidade. O Sistema hoje está voltado para si mesmo, defende a si mesmo muito antes de defender as profissões do chamado “setor tecnológico” e mesmo a sociedade.

Esperamos que, em breve, esta “crise” atribuída à criação do CAU seja identificada como o ponto de inflexão do atual Sistema rumo a sua modernização e atualização, à requalificação de sua vinculação com o mundo profissional, ao enxugamento de sua máquina administrativa, à racionalidade operacional para concentrar-se nos objetivos principais, que são a fiscalização do exercício profissional e a defesa da sociedade. Constatamos gratificados, pelas últimas pautas do Conselho Federal, que tais discussões já estão ocorrendo, e que o próprio presidente do Confea, eng. Civil Marcos Túlio de Melo, antes soberbo em suas convicções, tem manifestado que o Sistema deve espelhar-se no exemplo dos arquitetos.

Após tantos anos de discussão, a Lei do CAU apresenta muitos avanços para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo se comparados com a nossa atual condição.

A escolha dos conselheiros do CAU, nacional e nos regionais, será por eleição direta com voto obrigatório de todos os profissionais, sendo que o CAU será realmente federativo, visto que contará com um representante eleito por cada unidade da federação. No nosso atual Sistema o voto é facultativo, as votações são inexpressivas, e os arquitetos contam com apenas 4 Conselheiros Federais.

Os valores de anuidades e as taxas de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) estão adequadamente descritas e registradas em Lei. Nosso CREA sofre com ações volumosas de reembolso de anuidades e taxas cobradas, reconhecimento, de forma ilegal.

As atribuições profissionais, atividades e campos de atuação dos arquitetos a partir da implantação do CAU serão EXATAMENTE as mesmas de hoje. O Art. 2º da Lei 12.378/2010 é uma transcrição direta do Anexo da Resolução 1.010/2005 do CONFEA. A diferença, que hoje é alvo de discussão no Sistema, é que os arquitetos agora têm suas atribuições registradas em texto de Lei.

Por outro lado, o artigo que determinava a divisão do patrimônio do atual Sistema foi vetado pelo então Presidente Lula. Como uma parcela importante deste patrimônio foi construída pelos arquitetos como parte do Sistema, segue a nossa ação no Congresso pela derrubada deste veto.
Muito, também, sempre se especulou sobre a sustentabilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o que felizmente está superado diante da realidade do volume de recursos de origem exclusiva dos arquitetos que ora vem sendo depositados em contas específicas nos CREAs. Para surpresa de alguns, hoje, a discussão está centrada na sustentabilidade financeira, e mesmo política, do atual Sistema.

A Lei determina que, até a posse do Presidente e dos Conselheiros do CAU/BR, apenas os artigos 56 e 57 estão em vigor. Estes artigos fazem referência ao período de eleição e transição que está sendo gerenciado pelas Câmaras de Arquitetura com a participação das entidades nacionais. Até que entrem os demais artigos em vigor estaremos aqui no CREA, dando prosseguimento às tarefas cotidianas deste conselho e trabalhando com muito afinco na organização do CAU, preparando a primeira eleição, elaborando regimentos e normativas, reunindo dados e documentos. Em 2011, portanto, ainda somos parte do Sistema, o que não deveria ser visto como novidade, considerando o tempo em que projeto de lei esteve em discussão, oportunizando seu conhecimento e sujeito à manifestação por todas as partes.

É preciso que se destaque que, para que os arquitetos obtenham o resultado necessário frente ao empreendimento que têm pela frente para instalar o CAU no prazo que lhes é concedido, os procedimentos legais e operacionais necessários ao cumprimento dos referidos artigos da Lei, em vigor, devem ser imediatamente colocados em prática.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo é uma autarquia federal com finalidades claras e aprovado em Lei Federal. Não é uma entidade de arquitetos. Não representa independência profissional. O CAU representa autonomia na fiscalização e na gestão plena de todos os assuntos relativos ao exercício da profissão do Arquiteto e Urbanista.

Nossas profissões, ali fora no mercado de trabalho, seguirão unidas e parceiras. Arquitetos e engenheiros civis, eletricistas, mecânicos, etc., seguirão sendo parceiros profissionais, sócios, colaboradores, co-responsáveis por projetos e obras nas áreas de suas competências e atribuições e seguirão trabalhando juntos no desenvolvimento das cidades e da sociedade. Apenas teremos conselhos profissionais diferentes, assim como acontece na área da saúde com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos em saúde, que trabalham em conjunto, mas com conselhos profissionais independentes.

Assim como hoje cabe aos Arquitetos e Urbanistas a materialização do seu Conselho Profissional, cabe aos senhores a responsabilidade de adaptar-se aos desafios de fiscalizar as profissões da área tecnológica considerando os paradigmas já colocados pela nossa saída, mas, em especial, os gerados pelo próprio modelo estabelecido pelo atual Sistema.

Não há como prever se os arquitetos terão resultado positivo imediato à instalação do CAU. O nosso CREA-RS tem 76 anos, ou seja, não se constrói um Conselho de uma hora para outra. A Lei aprovada, no entanto, concede aos arquitetos o instrumento básico necessário para que estes construam o seu conselho de forma a atender às expectativas almejadas por tantos anos de lutas e que o resultado de tudo isso, efetivamente, retorne na forma de mais reconhecimento e valorização da Arquitetura por parte da sociedade.

O CAU não admite mais conjecturas. Agora é Lei e a lei deve ser cumprida.
Solicitamos que esta manifestação seja registrada, na íntegra, na ata desta sessão plenária.
Muito obrigado!

CEARQ-RS

18 de março de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dica de leitura

Lobão
50 anos a mil
Lobão e Cláudio Tognolli
Editora Nova Fronteira Participações S.A.
Rio de Janeiro RJ Brasil
Brochura 15 x 23 cm
596 páginas
Sempre escolho um livro para ler naquele período entre o natal e o ano novo. Considerando que nesta época do ano a maioria das pessoas, na minha área profissional, desacelera suas demandas e exigências, canalizando as suas energias para as festas de final de ano, eu aproveito esta pequena trégua para dar uma paradinha nos trabalhos do escritório e me dedico a fazer coisas que não cabem dentro do meu tempo ao longo do ano. Não viajo nesta época do ano, pois prefiro a tranqüilidade e o aconchego da casa e, principalmente, da cidade que fica super acessível considerando que a maioria das pessoas se bandeou para o litoral ou para a serra. Ver vários filmes ao longo das madrugadas, dormir até mais tarde no outro dia, caminhadas mais longas, almoços saudáveis e sem a correria do dia-a-dia, muitos banhos de piscina e algumas horas controladas de sol, passeios descontraídos nas praças do bairro, muitas brincadeiras com o meu filho Pedro e leituras que, obrigatoriamente, não sejam de arquitetura.

Isto é quase um ritual. Cabe destacar, para os leitores mais desavisados, que não existe na convicção descrita acima, nenhuma aversão às leituras referentes ao meu amado ofício. Ao contrário disto, tenho uma biblioteca de arquitetura, parte em minha casa e parte em meu escritório, que é de provocar inveja em muitas escolas de arquitetura. Apenas me permito variar, mudando drasticamente o rumo das leituras nesta época do ano.

Já estava um pouco preocupado com a chegada do final do ano e pelo fato de não ter escolhido ainda que livro ler. Tem vezes que eu compro o livro ao longo do ano já com o destino certo de abrir e ler a sua primeira página apenas no dia 26 de dezembro, que por sinal é a data de aniversário da minha saudosa amiga Maria Alzira Jobim. Então me deparo com a aquela capa, muito bem produzida, trazendo aquele olhar sisudo e penetrante do Sr. João Luiz Woerdenbag Filho, vulgo Lobão. Não tive dúvidas, entrei na livraria e arrematei o último exemplar - da própria vitrine - e de lambuja levei, também, o DVD Acústico MTV. Pedi para embrulhar para presente, em pacotes separados, e entreguei com nota fiscal da loja e tudo para a minha mãe, que sempre me pede para eu comprar o meu próprio presente de Natal depois me reembolsando do valor pago! Isto é muito divertido e sempre foi motivo de muitas risadas na hora de abrir os presentes!!

O livro é muito bom, bem escrito e muito bem produzido. São 596 páginas de muitas aventuras, altos e baixos, vários rituais de passagens, muitos combates, alegrias e tristezas, inúmeras reinvenções de si mesmo e uma descrição histórica dos fatos dos anos 70, 80 e 90, não somente musicais, digna de uma atenção especial dos historiadores.

50 anos a mil é a autobiografia dos primeiros 50 anos de vida do músico Lobão, que conta neste belo livro ilustrado a sua heróica trajetória no cenário do Rock brasileiro. Os acontecimentos mais importantes desses primeiros 50 anos de uma vida vivida em alta velocidade, com muito entusiasmo, criatividade, sede de aventura e uma capacidade ilimitada de renascimento e de reinvenção.

Lobão já foi chamado de tudo e recebeu os mais variados diagnósticos. Mas poucos sabem o que realmente ele é. Sua vida tem ares de psicodrama, sem deixar de ser cômico, surpreendente e elucidativo. Polêmicas e histórias mal contadas são passadas a limpo pelo próprio músico. Amizades com grandes nomes da MPB e do Rock nacional, encontros inesquecíveis com Nelson Gonçalves e Elza Soares, entre muitas descobertas, parcerias, drogas, prisões, brigas e muitos amores.

Em paralelo – universo paralelo – às fartas e bem escritas descrições referentes a sua trajetória artística, o texto se ancora em fatos sociais, políticos e econômicos dos conturbados anos 70, profícuos anos 80 e paranóicos anos 90, nos permitindo entender, sob a ótica do autor, várias situações nebulosas deste passado recente do Rock brasileiro, com uma transparência elucidativa e, ao mesmo tempo, desconfortável diante de tanto descortinamento de falcatruas travestidas de falsas verdades. E no meio disto tudo descobrimos uma história de amor louca, insólita, demasiadamente humana, de uma coragem singular, imprevisível e improvável, mas bem real.

O livro trás os fatos de forma contundente, desde as idéias musicais, possivelmente, plagiadas por outros colegas, passando pela situação ultrajante de bode expiatório no caso das prisões por porte de drogas, até a pirataria oficial descarada da indústria fonográfica brasileira, entre outros fatos agudos e boicotes que são de alarmar. Tudo isto contado com a irreverência criativa do músico e com a correta manutenção do léxico e da sintaxe peculiares e autorais de Lobão, fato muito importante para a manutenção da originalidade, fluidez e ritmo do livro.

Outra questão que eu achei genial na leitura são as páginas que reúnem, ao final de cada capítulo, uma espécie de retrospectiva jornalística trazendo as notícias que estamparam a mídia nos vários períodos da sua trajetória artística.

Li o livro todo nestes poucos dias de final de ano. Sempre gostei muito da abordagem musical original e inovadora de Lobão. Mesmo tendo aquela sensação de tê-lo na lista dos artistas preferidos, não posso deixar de relatar que não tinha a menor idéia de alguns dos fatos descritos por ele ao longo do texto. Neste sentido, a leitura prazerosa dos fatos e narrativas referentes à sua vida – que mais ou menos coincide na linha do tempo com a minha geração – andou de mãos dadas com a curiosidade de descobrir muitos fatos que permaneceram, por muito tempo, nebulosos no meu entendimento e outros tantos que eu nem imagina descobrir. Não se trata, portanto, de um resgate nostálgico de um passado longínquo, morto e enterrado, mas de uma história cheia de vida, de intensidade, de coragem, de revelações que ajudam a compreender o passado, projetando luzes criativas para o futuro.

Curti do início ao fim. A leitura valeu da primeira à última pagina. Este é um daqueles livros que você vai lendo com entusiasmo e prazer mas, ao mesmo tempo, poupando algumas páginas para retardar a angústia certeira do final da leitura. Após ler a última página fiquei naquele bom silêncio reflexivo, procurando para mim mesmo uma palavra que sintetizasse a trajetória artística do músico Lobão e após alguns minutos encontro convictamente a palavra ATITUDE.

Atitude para oferecer ao seu público fiel a segunda parte desta história com mais 50 anos de rock and roll da melhor qualidade, pois como ele mesmo profetiza ao final do livro: “...afinal de contas, o melhor ainda está por vir.”

domingo, 16 de janeiro de 2011

Formatura - FauUlbra / Canoas

Turma,

A cerimônia de formatura ocorrida ontem estava linda e emocionante. Foi contagiante vê-los com aquela alegria inconfundível estampada nos rostos, assim como foi, também, emocionante ver aquela entrada triunfal, aos sons de várias e mixadas buzinas e muitas luzes, tendo a música Tropa de Elite como trilha sonora!! É isso aí aspiras, levantem a cabeça, estufem o peito e tenham muito orgulho pois agora vocês são Arquitetos e Urbanistas!! Vocês estavam lindos!!

Lhes agradeço de coração a bela distinção acadêmica que vocês me prestaram, me escolhendo para ser professor homenageado desta turma. Levarei, em especial, esta honraria sempre guardada no coração como um incentivo para o meu trabalho diário no atelier.

A arquitetura, sempre lhes disse isto, é, também, uma filosofia de vida, pois tratando da espécie humana, dos seus espaços e do mundo que os cerca, deixa pouca coisa sem a intervenção direta e sem a influência necessária do arquiteto. A arquitetura está nas próprias origens da humanidade, sendo o produto imediato do instinto humano. A arquitetura é, portanto, ciência e ofício. Ciência, na exata medida em que nos permite, a partir da pesquisa aplicada, conhecer e investigar as necessidades e demandas reais da sociedade e do mercado em que estamos inseridos. E é ofício, pois, a partir dele, participamos ativamente da vida das pessoas, seja na pequena escala habitacional da célula da família ou na escala das grandes edificações e intervenções urbanas.

Por esta razão, meus arquitetos, entre outras tantas, somos uma profissão tão, e cada vez mais, viável e fundamental nos dias de hoje, principalmente quando reconhecemos tantas coisas por fazer neste mundo desigual que temos que mudar e que depende muito das nossas atitudes e da nossa luta conjunta.

Não foram anos fáceis, eu bem sei...

Lembro da coragem de cada um na busca das idéias e das grandes invenções, da fragilidade dos corações diante das muitas dificuldades e, quase, intransponíveis barreiras. Lembro da tristeza imposta pelo exílio necessário do convívio social e familiar, já que não foram poucas as vezes que, por exigência dos nossos tantos e infindáveis trabalhos, nos obrigamos a ficar distantes de tudo aquilo e de todos aqueles que muito amamos...

E a vida passando, indiferente aos nossos apelos para que o tempo passasse mais devagar, nos fazendo sentir, aflitos, que aquele momento não mais voltaria e que ela não esperaria por nós... Quantas vezes, na solidão de um único ponto de luz acesso sobre a mesa de trabalho, nas madrugadas infindáveis, esta pergunta foi formulada por vocês: Será que vale a pena?

Lembro, ainda, do cansaço de cada corpo, do semblante exaurido e apreensivo de cada um nos dias de painel e apresentação dos trabalhos, dos momentos nebulosos onde as tarefas pareciam não caber dentro da linha tênue do tempo e, também, da tristeza diante de uma crítica, por vezes, mais contundente, embora necessária. Mas lembro, principalmente, e me parece que isto é que deve ser exaltado neste momento, da alegria estampada em cada rosto pelas grandes descobertas, pela superação de mais um desafio, pelo acerto diante da tão esperada solução viável, pela experiência mágica de uma invenção e pela oportunidade de estarmos ali, noite após noite, no calor dos verões que se estendiam ou nos implacáveis invernos, testando os nossos limites e fortalecendo cada vez mais as nossas convicções sobre a profissão e, através dela, participando da construção de um mundo melhor para todos.

É claro que vale a pena!!

Juntos, aprendemos muito nesta longa caminhada.

O tempo passou e chegamos ao fim de mais uma longa jornada. Outros tantos desafios gerados pelas demandas profissionais deverão ser assumidos. Fiquei muito feliz por ter tido a oportunidade de conviver com vocês, nesta reta final. Guardo cada um no meu coração. Lhes desejo muita sorte e muito sucesso nesta nova fase das suas vidas. Fazendo uso de algumas palavras do belo discurso de ontem, proferidas pela querida paraninfa, Profa. Arqa. Patrícia de Freitas Nerbas, “...se nos encontramos nesta vida é por que ainda vamos nos encontrar...”. Então, fica no ar aquele gostoso desejo e a certeza de estar com vocês novamente!


Contem sempre comigo!!
Um super beijo e um super abraço, já com saudade!!