domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

De todas as festas do ano, além do meu aniversário, é claro, a Páscoa sempre foi a minha preferida. Acho que pela razão de eu sempre associar esta festa ao sentimento de muita alegria, diversão e brincadeiras. Muito mais do que no Natal onde, por alguma razão misteriosa, as pessoas sempre acham que devem fazer - somente nesta data - várias reflexões sobre o significado da vida.

Na Páscoa, não!! Lembro com muito carinho da minha infância e das brincadeiras de correr pela casa na busca dos ninhos escondidos pelo coelho. Minha família, sempre antes de dormir, deixava uma frestinha em alguma janela da nossa casa com o propósito de deixar uma entrada livre para o coelho que sempre chegava junto com a madrugada.

Mesmo quando tentávamos resistir ao sono e ficar acordados até tarde - que naquela época nunca ia além da meia-noite - o cansaço sempre nos vencia. Mas a recompensa sempre vinha!! Bastava amanhecer para que as brincadeiras tivessem início. Dedinhos de talco por toda a casa e ovinhos espalhados por todos os lados, nos dando várias pistas sobre onde encontrar os ninhos.

Depois ficávamos o dia inteiro com aquela cestinha no braço, tendo o maior cuidado para ver se todos os nossos chocolates ainda estavam lá!! Ganhávamos tanta coisa que lembro de ficar comendo chocolates por muitas semanas!!

Bons tempos!! Bons tempos...

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a ‘passagem’ de Cristo, da morte para a vida.

No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.

A festa tradicional associa a imagem do coelho, um símbolo de fertilidade, e aos ovos dados de presente (pintados com cores brilhantes, representando a luz solar). A origem do símbolo do coelho vem do fato de que os coelhos são notáveis por sua capacidade de reprodução. Como a Páscoa é ressurreição, é renascimento, nada melhor do que coelhos, para simbolizar a fertilidade!

O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Conselho de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária - conhecida como a ‘lua eclesiástica’.

A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.

Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa ‘móvel’.


Lembro estes fatos para comentar o quanto tudo nesta vida segue ciclos de repetição!! O Pedrinho passou a semana inteira andando pela casa achando os chocolatinhos que deixávamos para ele. Todos os dias ele faz a continha nos dedos e me pergunta quanto falta para chegar a Páscoa!! Ele está bastante preocupado e não deixa de me lembrar que temos que abrir uma frestinha numa janela. Mas diz isto com um ar um tanto preocupado, pensando em como o coelho escalará a parede externa do edifício até a nossa janela no quinto andar... Bem, deixemos o coelho com os seus problemas!! Ele já está bocejando pela casa e logo-logo o cansaço vai derrotá-lo, também. Então, teremos tempo para arrumar a festinha para quando ele acordar logo mais pela amanhã!!

Meus queridos amigos, lhes desejo uma ótima Páscoa para vocês e seus familiares.
Muita paz, alegria, saúde, renascimento, sonhos, amor e muitas alegres brincadeiras!!

sábado, 11 de abril de 2009

Buenos Aires - roteiro de viagem

Viagem de Estudos
FAUPUCRS e FAUFRGS
Arquitetura de Sistemas de Transportes de Passageiros

De acordo com o prometido na postagem anterior, estou publicando agora o roteiro preliminar da nossa viagem de estudos para Buenos Aires. Como podemos ver, a viagem vai ser bem produtiva!!

17/04 (sexta-feira)

12:00h – Encontro do grupo e preparação para embarque / local: posto Ipiranga em frente à SMOV (Av. Borges de Medeiros)

13:00h – Saída para Buenos Aires

18/04 (Sábado)

09:00h – Chegada em Buenos Aires no hotel para check-in (Apart Hotel & SPA Congreso) – telefone (5411) 4954.8410 e fax (5411) 4911.6060
www.apartcongresso.com.br / info@apartcongreso.com.ar

11:00h – Congreso Nacional (Av. Callao), livrarias e sebos (Av. Corrientes), Livraria Ateneu (Calle Santa Fé, 1800), visita ao Paseo de la Plaza (Av. Corrientes)

13:00h – Almoço – Paseo de la Plaza (Av. Corrientes)

14:00h – Passeio pelo centro histórico

15:00h – Caminhada pelo centro de Buenos Aires, Av. Corrientes, Obelisco, Calle Lavalle, Calle Florida, Galerias Pacífico (Arq.Pfeifer & Zurdo), Av. Córdoba esquina Calle Florida, Banca Nazionale del Lavoro (Arq. Mario Botta – Calle Florida, 40), Lloysd Bank (Arq Clorindo Testa – Calle Reconquista, 101 esquina Calle Bartolomé Mitre)

18:00h – Happy Hour no Café Tortoni (Av. de Mayo, 829)

20:00h – Retorno para o hotel

21:00 h – Noite livre (sugestão: Bairro Palermo Soho – Bares & Restaurantes)

19/04 (Domingo)

07:30h – Café da manhã no hotel

08:30h – Passeio cultural

09:30h – Visita ao Bairro la Boca (caminhada), La Bombonera (Estádio do Boca Juniors)

10:30h – Feira de San Telmo

11:30h – Visita ao Museu Constantini – MALBA (Arqs. Alfredo Tapia, Martin Fourcade e Gaston Atelman – Av. Figueroa Alcorta, 3415)

13:30h – Almoço no Shopping Paseo Alcorta

15:00h – Visita ao Xul Solar (Arq. Pablo Tómas Beita – Calle Laprida, 1212)

16:00h – Visita a Biblioteca Nacional (Arq. Clorindo Testa – Calle Aguero, 2502)

17:00h – Bairro Recoleta – Centro Cultural Recoleta (Arq. Clorindo Testa – Av. Puyrredon / Azcuénca), Hard Rock Café, Buenos Aires Design Center

19:00h – Retorno para o hotel

21:00h – Noite livre (sugestão: Bairro Recoleta – Bares & Restaurantes)

20/04 (Segunda–feira)

07:30h – Café da manhã no hotel

08:30h – Saída do hotel para a FADU – Ciudad Universitária – Pab. III

09:30 h – Chegada a FADU

10:30h – Museu de Maquetes (FADU)

11:30h – Taller de Miguel Angel Roca (Prof. Arq. Victor Villasuso – FADU)

13:00h – Almoço no restaurante universitário da FADU

14:00h – SUBTE Metrovias (subterrâneos)

14:30h – Apresentação do Projeto da Línea H (projeto de ampliação do SUBTE de Buenos Aires

15:30h – Visita a obra da Línea H

16:30h – Visita as estações da linha (Estación Parque Patrícios e Estación Corrientes)

19:00h – Happy Hour (livre)

20:00h – Retorno para o hotel

21:00h – Noite livre (sugestão: Bairro Palermo Soho – Bares & Restaurantes)

21/04 (Terça-feira)

08:00h – Café da manhã e Check Out no hotal

09:00h – visita guiada ao Antiguo Puerto Madero (Calle Olga Cossetini, 771 - 2º piso), palestra do Arq. Rosendo Dominguez e com Gerente Técnico - Arq. Eduardo Albanese e Gerente de Obras - Arq. Antônio Manuli

10:00h – visita ao Terminal Marítima de Pasajeros - BUQUEBUS

10:30h – Caminhada pelo Puerto Madero, Hotel Hilton (Arq. Mario Roberto Alvarez, Dique 3), armazéns readaptados, Ponte de la Mujer (Arq. Santiago Calatrava, Dique 3), PUCA, Edifício INC, Edifício Malecon (Arq. HOK International), Parque Micaela Bastidas (Arq. Marcelo Villa)

13:00h – Almoço no Restaurante Siga la Vaca (Av. Alicia Moreau de Justo, 1714)

15:00h – Livraria Ateneu (compras – Calle Santa Fé, 1800)

16:00h – Shopping Paseo Alcorta – MALBA (compras)

17:00h – Embarque e saída de Buenos Aires

22/03 (Quarta-feira)

12:00h – Chegada em Porto Alegre (Posto Ipiranga em frente a SMOV)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Buenos Aires 2009

Mais uma vez estamos alegremente fazendo as malas para tomar o rumo da cidade de Buenos Aires em mais uma viagem de estudos com os alunos. Desta vez vamos com 80 alunos (60 da FauPucRS e 20 da FauUfrgs). Partimos no dia 17 de abril e retornamos no dia 21 de abril.

As disciplinas de Projeto de Edificação IV da FauPucRS e Projeto 5 da FauUfrgs desenvolvem propostas pedagógicas semelhantes, o que nos propicia, de tempos em tempos, estas experiências didático-pedagógicas em conjunto. E é sempre uma grande curtição!!

Neste semestre estamos trabalhando com o tema do Terminal Hidroviário de Porto Alegre, a ser implantado no sítio onde hoje se encontra o armazém B3 do Cais Mauá. A idéia partiu de investigar as necessárias alterações no sistema de transporte público de Porto Alegre, tendo em vista a possibilidade de a cidade ser uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.

Tradicionalmente trabalhamos, nesta disciplina, com a idéia de tratar de assuntos cuja demanda real seja de fácil identificação, oportunizando assim o trabalho concreto em cima de um tema real, com cliente real, colocando o aluno em contato com os temas que estão sendo pautados pelas necessidades reais da cidade.


A disciplina de Projeto 5 da FauUfrgs vai também nesta mesma direção. A facilidade que temos em trabalhar desta maneira conjugada se dá, em grande parte, pela participação do Prof. Arq. Luis Carlos Macchi Silva nestas duas disciplinas, sem dúvidas um grande entusiasta destas viagens.

Nosso roteiro sempre é bastante extenso, principalmente considerando que temos poucos dias para ver tantos lugares de interesse. Geralmente nosso roteiro compreende de 12 a 14 horas de passeios diários e ininterruptos, que é para fazer o dia render. Nossa disciplina já tem um histórico bem positivo de boas viagens de estudos e, certamente, esta também será bem legal!!

Numa próxima postagem vou publicar o nosso roteiro para conhecimento daqueles que não conseguiram vaga desta vez!! Tudo bem, pois outras tantas virão!!

O homem e a natureza

Seyyed Hossein Nasr

Nasr é uma autoridade reconhecida em estudos relativos ao Islã, seja na doutrina esotérica ou na religiosa, seja na arte, na história ou nos costumes do povo islâmico. É decisivo, além disso, o fato de conhecer muito bem a fisionomia mental dos orientais e dos ocidentais modernos e estabelecer pontes e laços que permitam a mútua compreensão. Seu livro 'O Homem e a Natureza' é ainda nos dias atuais um lastro fundamental para a compreensão das raízes profundas que determinaram o mundo contemporâneo.

Este pequeno e precioso volume foi publicado pela primeira vez em 1968. Em 1977 foi traduzido e editado no Brasil pela Zahar Editores e desde a década de 80 esta edição encontra-se esgotada, sendo alvo apenas dos curiosos e persistentes reviradores de sebos.

Esta edição em português chegou às minhas mãos em 1985, pelo que vejo na data ao lado da minha assinatura, na primeira página do livro. Nesta época eu estava cursando o terceiro ano da faculdade de arquitetura e urbanismo e lembro das primeiras discussões verdadeiramente alarmantes sobre a crise energética internacional e os efeitos devastadores, na natureza, do consumo desenfreado de energia pelos países desenvolvidos.

Também, nesta época, eu fazia parte da seleta equipe de técnicos do escritório do célebre Engenheiro Fúlvio Celso Petracco, reconhecido internacionalmente pelo seu amplo engajamento nas questões relativas à economia de energia. Certamente, foi por intermédio dele que tive acesso a este livro. Ele tinha uma obstinação profissional contagiante. Lembro com muito carinho quando ele chegava em nossas mesas, sempre nos finais das tardes de sexta-feira e silenciosamente largava sobre elas livros dos mais diversos assuntos, nos provocando a ter uma variada e constante atualização científica e literária.

Costumes, culturas, cinema, astronomia, física, química, matemática, filosofia, história, entre outros tantos assuntos que faziam parte do seu vasto conhecimento e de sua invejável biblioteca. Com o desafio dos livros vinha sempre a provocação para que na manhã dos sábados participássemos dos calorosos e divertidos debates internos sobre o conteúdo dos livros.


Que época maravilhosa da minha vida!!

Por muito tempo este pequeno livro esteve perdido, entre outros tantos que permaneceram encaixotados, desde quando saí da casa da minha família para casar. Para minha surpresa e felicidade reencontrei-o quando fiz minha mudança para a casa nova no final do ano passado e, por curiosidade, resolvi abrir aquelas velhas caixas que moraram comigo fechadas e pacientes ao longo dos 10 anos passados na minha moradia anterior.

Então, vai aqui mais uma dica de leitura, dentro daquele propósito de resgatar algumas obras de importância que tratam do equilíbrio do meio-ambiente e da ecologia.


O homem e a natureza
Sayyed Hossein Nasr
Zahar Editores
Coleção Espírito e Matéria
Rio de Janeiro – 1977
139 páginas


Os capítulos deste livro se baseiam em quatro conferências proferidas na Universidade de Chicago durante o mês de maio de 1966, fazendo parte de uma série de conferências anuais que têm lugar nessa Universidade sob o patrocínio da Fundação Rockefeller. O objetivo destas conferências era investigar, no mais amplo sentido, os problemas colocados à paz e à própria vida humana pelas várias aplicações da ciência moderna.

Nasr examina, neste livro, as raízes profundas do preocupante desequilíbrio entre o homem contemporâneo e a natureza. Já em 1968 os sintomas já eram visíveis e as causas não apenas se mantiveram mas se intensificaram, produzindo um ciclo de catástrofes que evolui em progressão geométrica, apontando inevitavelmente para uma provável catástrofe ambiental no planeta Terra.


São investigadas inicialmente as circunstâncias do advento do cristianismo e o alto preço pago no enfrentamento do panteísmo e naturalismo, então reinantes, em favor do restabelecimento (o termo ‘religião’ designa o resgate de uma ligação perdida) do elo Terra-Céu. Prossegue magistralmente sua exposição examinando momentos decisivos - religiosos, filosóficos econômicos e políticos - através dos séculos e que contribuíram para a grave situação mundial hoje reinante.

O alto valor intelectual deste pequeno e importante livro reside, muito acima do conjunto de informações, na coerência da narrativa, visão abrangente e encadeamento lógico irrepreensível de causas e efeitos.

Mais de quarenta anos já se passaram desde que este livro foi escrito. Durante esse período, a consciência da grande crise ecológica, que foi prevista neste trabalho, subitamente despertou na mente do homem ocidental. Na América, em certas partes da Europa e também no Japão foram dedicados dias especiais à salvação da Terra. Florestas foram derrubadas para produzir o papel necessário para se escrever a respeito dos vários aspectos da crise ecológica.

E, por fim, em 1972, em Estocolmo, teve lugar uma importante conferência internacional, resultando na criação de um órgão especial para estudar e aplicar meios de preservação do meio ambiente.

Não há dúvida de que as várias dimensões dos problemas que a crise ecológica colocou diante do homem tornaram-se muito mais bem conhecidas durante este período e de que se criou entre as pessoas uma maior conscientização no que diz respeito aos malefícios causados pelo homem moderno em sua lida com o ambiente natural, do qual depende de forma tão direta.

Essa preocupação é observada no número de livros e revistas dedicados a esse assunto, nos currículos criados em várias universidades para ensinar e treinar especialistas para enfrentar os problemas do meio ambiente, na fundação de órgãos nacionais e internacionais para supervisionar a utilização do meio ambiente, em grupos estabelecidos para aproximar os mais destacados cientistas e 'pensadores', a fim de que ponderem sobre o futuro do homem, e mesmo nas tentativas de se criar um novo tipo de tecnologia, chamada 'branda', 'intermediária' ou 'limitada', para atenuar os efeitos das indústrias pesadas sobre o meio ambiente.

Mas apesar de todos estes movimentos, a gravidade da crise ecológica e o perigo iminente que constitui para a vida humana permanecem irredutíveis. De certa forma, todos estes esforços parecem não ter alcançado o âmago do problema, pois com a menor das pressões econômicas externas, como esta provocada pela constante e crescente crise energética mundial, são sempre as leis recentemente promulgadas sobre o meio ambiente que são modificadas, em lugar da modificação dos modos de vida, que são os principais responsáveis pelas crises que o homem está enfrentando nos dias de hoje.

É por esta razão que este livro ainda tenha uma mensagem para aqueles que continuam interessados na busca de uma solução real para as difíceis condições do homem moderno, especialmente quando refletidas em sua total desarmonia com o ambiente natural. Nas páginas que se seguem, o autor procurou descobrir as raízes da crise ecológica através do exame da história da ciência no Ocidente, e buscando mesmo atribuir um novo papel a esta disciplina acadêmica. Nas décadas passadas, algum esforço foi feito neste sentido, mas de dimensão insignificante, tendo-se em vista a urgência e atualidade do problema.

Trata-se, portanto, de analisar não os principais 'avanços' da ciência, mas os motivos que puseram o homem em uma situação tão desesperadora diante do desenvolvimento e aplicação da ciência ocidental.

O livro propõe, também, a redescoberta das cosmologias tradicionais das culturas orientais como meio de obter uma nova visão do universo natural e seu significado. Isto também ocorreu, em escala notável, nos anos que se passaram, mas nem sempre de forma significativa ou saudável. Surgiram excelentes traduções e exposições novas de fontes tradicionais autênticas, referindo-se ao simbolismo das formas naturais e das várias cosmologias tradicionais. Mas, no cômputo geral, a enxurrada de material sobre estes assuntos entrou na arena da vida do homem moderno trajada com as vestes do ocultismo e conduzindo a onda dos movimentos pseudo-religiosos, aos quais se associa grande parte deste tipo de material.

Por fim, nas páginas que se seguem, o autor afirma claramente que a crise ecológica é apenas uma exteriorização de um ‘mal-estar’ interno e que não pode ser resolvida sem um renascimento espiritual do homem ocidental. Este tema foi intensamente abordado por Theodore Roszak em seu livro ‘Where the Wasteland Ends’ e ocasionalmente em outros trabalhos, mas não fosse pelos expoentes das doutrinas tradicionais como Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Marco Pallis e Martin Lings, cujos trabalhos são citados com freqüência neste livro, as forças para uma genuína renovação dentro das tradições religiosas no Ocidente não teriam avançado de forma apreciável.

Na realidade, foram as forças que desejaram repetir os erros do modernismo, dentro da própria estrutura das doutrinas e ritos religiosos, que ganharam ascendência, forçando as pessoas de pensamento elaborado a buscar em outras paragens os ensinamentos tradicionais genuínos.

Ao final do livro o autor ainda expressa a sua esperança no homem. No fato de que, enquanto aumenta a crise criada pelo esquecimento por parte do homem de quem ele realmente é, e na medida em que caem, um por um, os ídolos de sua própria confecção, ele comece uma verdadeira reforma de si mesmo, que sempre significa um renascimento espiritual, e através deste renascimento alcance uma nova harmonia com o universo da natureza que se estende a sua volta.

De outra forma, é inútil esperar uma harmonia com esta grande teofania, que é a natureza virgem, enquanto permanecermos em esquecimento e indiferentes à origem dessa teofania, tanto além da natureza quanto no âmago da existência do homem.

Nas suas palavras:

"Que as páginas deste livro sejam um modesto auxílio em chamar a atenção para as raízes dos problemas cujos sinais externos muitos já distinguem, raízes que se inserem profundamente no coração endurecido e na mente obliterada do homem moderno, cujo destino, não obstante, o chama a realizar seu papel de vice-gerente de Deus na terra e protetor da ordem natural, e de testemunha da verdade de que 'Omnis natura Deo lognitus' (a natureza toda fala de Deus)".

A tese apresentada neste livro é simplesmente a seguinte: embora a ciência seja legítima por si só, o papel e a função desta e sua aplicação se tornaram ilegítimos e mesmo perigosos devido à falta de uma forma mais elevada de conhecimento, no qual a ciência pudesse ser integrada, e à destruição dos valores sagrados e espirituais da natureza.

Para remediar esta situação o conhecimento metafísico pertinente à natureza tem de ser revivido e a qualidade sagrada da mesma ser-lhe novamente conferida. Para consecução deste fim, a história e a filosofia da ciência têm de ser reinvestigadas em relação à teologia cristã e à filosofia tradicional da natureza que existiram durante grande parte da história européia.

A própria doutrina cristã deveria ser ampliada para incluir uma doutrina que diga respeito ao significado espiritual da natureza, e isto com o auxílio das tradições metafísicas e religiosas do Oriente, onde tais doutrinas ainda estão vivas.

Estas tradições não seriam tanto a origem de um novo conhecimento, mas um auxílio à anamnese, à lembrança de ensinamentos do Cristianismo, esquecidos agora em sua grande maioria. O resultado seria conferir-se, mais uma vez, uma qualidade sagrada à natureza, fornecendo uma nova base para as ciências, sem negar seu valor ou legitimidade dentro de seu próprio domínio.

Seria a própria antítese do movimento corrente nos dias de hoje sob o nome de 'teologia secular'. Não significaria secularizar a teologia, mas conferir um significado sagrado e teológico àquilo que o homem moderno considera ser o mais secular de todos os domínios, a saber, a ciência.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aos alunos da FauUlbra

Prezados alunos,

Certamente vcs já tomaram conhecimento da decisão da última assembléia geral dos professores, ocorrida na terça-feira (07/04/2009), que deliberou em favor da paralisação, por tempo indeterminado, das atividades acadêmicas.

Os professores da Ulbra estão passando por um momento muito delicado, sem receber regularmente seus salários desde agosto do ano passado. Como é do conhecimento de vcs, várias folhas de pagamento não foram creditadas aos professores (salários totais ou parciais de dezembro, janeiro, férias e março, além do 13 salário).


Ainda assim, ao longo deste tempo, honrosamente os professores tem dado a reitoria os votos de confiança e todo o crédito necessário para construção de um planejamento estratégico que objetive a saída definitiva da instituição desta grave crise financeira que infelizmente envolveu a nossa universidade.

Mesmo assim, mais uma vez, a universidade, diante destas dificuldades, não conseguiu cumprir com os acordos feitos com os professores nos colocando nesta situação difícil de ter que decidir em favor da paralisação.

Os motivos para esta crise são muitos, ditos pelas várias partes envolvidas. Desde a contingência da economia mundial até a gestão temerosa diante da perda do foco principal do ensino e diversificação empresarial. As informações sobre este assunto são fartas na mídia e estão disponíveis para todos que quiserem conhecer as várias e contraditórias versões para este fato lastimável.

Estou a 26 anos nesta instituição (6 como aluno e 20 como professor) e nunca tinha visto nada igual. O pior desta crise, além da ausência dos salários, é a total falta de informação e atenção dirigida aos professores e funcionários por parte da reitoria. As poucas notícias que nos chegam, institucionalmente, não colocam luzes sobre o entendimento da crise: suas verdadeiras origens e as estratégias concretas para sua extinção.

Diante disto e do compromisso pessoal que tenhos com vcs, quero fazer uma reunião urgente na próxima segunda-feira (13 de abril) e terça-feira (14 de abril), com os alunos do Atelier 1 e 2, para que possamos juntos discutir este assunto e achar uma saída para esta situação, principalmente, considerando que temos pela frente datas muito importantes das nossas vidas (agosto e dezembro de 2009): formatura de vcs.

Peço-lhes encarecidamente que não faltem esta reunião que acontecerá nos dias e turnos em que o aluno está regulamente matriculado.

Peço-lhes tb, encarecidamente, que acompanhem o desenrolar desta dolorosa crise pelos jornais e sites especializados. Maiores informações sobre o histórico da crise vcs podem acompanhar no site do Sinpro-RS no link abaixo.

http://www.sinpro-rs.org.br/ulbra/index.asp

Aguardo vcs na próxima semana para nossa importante reunião geral!

Muito obrigado pela parceria e comprensão neste momento difícil para todos nós!!
Meu forte abraço com os votos de uma Feliz Páscoa para vcs e seus familiares!!!


No final das contas, não devemos nos esquecer que Páscoa significa renascimento...