sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Nota Pública - CEF-CAU/RS

COLEGIADO DOS COORDENADORES DE CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO DO RS

O Colegiado de Coordenadores de Curso de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, instituído no âmbito do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS), reuniu-se no dia 27 de agosto de 2024 na sede do CAU/RS, em Porto Alegre, e debateu acerca do processo de proposta de alteração das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para os cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo.

O Colegiado de Coordenadores vem manifestar sua preocupação quanto aos aspectos alterados pelo texto substitutivo aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2 de agosto de 2024 e que divergem daqueles aprovados por unanimidade em dezembro de 2023. O Colegiado de Coordenadores não teve acesso ao texto na íntegra, mas tomou conhecimento pelas informações divulgadas na página oficial do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (https://caubr.gov.br/entidades-de-arquitetura-e-urbanismo-celebram-avanco-importante-nas-dcns)

As alterações do texto substitutivo possibilitam o ensino de 20% da carga horária total do curso na modalidade a distância e, ainda, estabelecem a relação de 1 (um) professor para cada 25 (vinte e cinco) alunos nos Ateliês de Projetos e de 1 (um) professor para 65 (sessenta e cinco) alunos nas disciplinas teóricas.

Cientes da responsabilidade da profissão do arquiteto e urbanista diante das questões da sociedade brasileira, o ensino de arquitetura e urbanismo foi construído e pautado com o propósito de formar profissionais e cidadãos com capacidade de enfrentar os problemas contemporâneos das cidades, de forma autoral, técnica, ética e responsável. O arquiteto e urbanista, na concepção e execução de espaços para as atividades humanas têm, no exercício do seu ofício, atribuições legais e responsabilidades técnicas.

No entendimento deste Colegiado, qualquer definição que venha a dissolver os fundamentos do ensino de arquitetura e urbanismo compromete a qualidade da formação profissional trazendo consequências negativas para a sociedade. No percurso dos anos, professores da área de arquitetura e urbanismo vem acompanhando e incorporando, de forma atenta e responsável, avanços tecnológicos no ensino, como o desenho digital, modelagem em três dimensões, modelos virtuais de construção e gerenciamento de obras e, mais recentemente, tecnologias de inteligência artificial. No entanto, não há nada que substitua a construção coletiva do conhecimento praticada nas salas de aula.

Nos ateliês de projeto, o estudante é o protagonista do seu aprendizado e, ainda que o método de projeto seja desenvolvido há muito tempo nos cursos de arquitetura, é considerado um modelo inovador nos processos de ensino e aprendizagem. O método prevê a definição do problema, pesquisa sobre a temática, estudo de condicionantes, levantamentos, visitas técnicas, debates coletivos, planejamento e projetos, em que cada estudante propõe uma solução de sua autoria. O professor conduz o ateliê, sendo um mediador, orientando coletivamente a turma e, individualmente, cada estudante. Essa didática só é viável e efetiva se o professor tiver condições e tempo para encaminhar cada estudante, estimulando suas habilidades e corrigindo dificuldades. O ateliê de projeto é o lugar onde o estudante integra os conhecimentos aprendidos em outras disciplinas do curso.

Sendo um curso vinculado às ciências sociais aplicadas, nas disciplinas teóricas, a promoção do debate também é estimulada, ocorrendo, além disso, atividades de extensão, trabalhos de campo e laboratoriais. A interação entre professor e alunos e as atividades só podem ocorrer com qualidade e segurança dentro de limites razoáveis de proporção professor/aluno. Ao contrário, o aumento arbitrário e excessivo do número de alunos na sala de aula e demais espaços educacionais promove o distanciamento entre professor e estudante. A natureza do curso de arquitetura e urbanismo não se pauta na transmissão de conteúdo meramente expositivo, sem reflexão crítica, análise técnica e capacidade de argumentação.

Diante desse contexto, defendemos o ensino presencial e o texto original da proposta de alteração das DCNs, aprovada em dezembro de 2023, que previa como máximo a relação professor/aluno de 1/15 para conteúdos práticos e ateliês e, 1/45 para aulas teóricas.

Finalizamos nosso parecer com o seguinte questionamento: a quem interessa superlotar salas de aulas removendo o lastro da formação de profissionais de tamanha relevância social?

Nos colocamos à disposição para dialogar em conjunto com entidades e com o MEC, com a intenção de promover avanços na educação e na formação das futuras gerações de arquitetos e urbanistas.

Porto Alegre, 27 de agosto de 2024

Colegiado de Coordenadores de Cursos do RS

https://caurs.gov.br/qualidade-do-ensino-de-arquitetura-e-urbanismo-em-risco/

domingo, 12 de maio de 2024

Pela qualidade do ensino presencial

 Na última sexta-feira, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS) realizou a 155ª Reunião Plenária Ordinária. Nesta edição, um dos destaques na pauta do dia foi a aprovação da nota pública em nome da qualidade do ensino presencial. A leitura aos conselheiros presentes foi realizada pelo coordenador da Comissão de Ensino e Formação, Paulo Ricardo Bregatto.

“O CAU/RS, em defesa da sociedade, tem combatido com rigor a mercantilização e a consequente precarização do ensino de Arquitetura e Urbanismo, reconhecendo a modalidade do ensino presencial como a única forma de garantir a qualidade da formação, considerando as especificidades e complexidades que constituem os saberes necessários para o exercício pleno da profissão. Neste sentido, o Conselho vem alertar a sociedade sobre os riscos de uma formação incompleta, a partir de nota pública, que evidencia o nosso compromisso com a informação e com a qualidade do ensino e da formação”, afirma o coordenador da Comissão de Ensino e Formação, Paulo Ricardo Bregatto.

Leia a nota na íntegra:

 

Nota pública em favor da qualidade do ensino e aprendizagem, para graduação em Arquitetura e Urbanismo, na modalidade presencial

A Comissão de Ensino e Formação do CAU/RS, no uso das suas atribuições e em defesa da sociedade, torna público o seu compromisso de zelar pela qualidade do ensino e da formação dos novos profissionais da Arquitetura e Urbanismo e de reafirmar a sua posição de defender a modalidade do Ensino Presencial.

A partir das campanhas informativas no rádio, televisão e mídias sociais, o CAU/RS tem enfrentado com convicção os avanços de quaisquer práticas que venham a contribuir com a precarização da qualidade do ensino e da formação. Cremos que a origem dos processos que chegam ao CAU/RS, por denúncia ou fiscalização de ofício, podem estar relacionadas à falta de qualidade na formação. Neste sentido, o CAU/RS, a partir do trabalho da Comissão de Ensino e Formação, mantém estreita relação com as Instituições de Ensino Superior (IES), na forma do Fórum dos Coordenadores e Seminários de Ensino e Formação, com o propósito de orientá-las sobre as ações capazes de contribuir para efetiva formação de qualidade.

O curso de Arquitetura e Urbanismo, além da sólida formação nos saberes relacionados à teoria, história e crítica, tem grande ênfase nas atividades práticas, onde o Ateliê Presencial (edificações, urbanismo, paisagismo, maquete e expressão gráfica) torna-se seu principal laboratório de ensino e aprendizagem. O Ateliê é o espaço democrático, assistido e compartilhado, onde a construção do conhecimento, a partir da reflexão imediata sobre a ação do fazer, faz convergir para o desafio do projeto os demais saberes integrantes da matriz curricular. É neste laboratório presencial de ensino e aprendizagem que se dá a resolução dos problemas reais, lançados como desafio aos alunos e assistidos pelo professor, tal como preconiza a pedagogia ativa e a sala de aula viva. Esta prática, saudada pela pedagogia contemporânea, não é nova e encontra registros históricos nos primórdios da formação dos arquitetos e urbanistas.

Também, o projeto político que tem caracterizado as cinco gestões do CAU/RS, referência em suas teses e ações para outros CAU/UF, tem obtido êxito e apoio das entidades de classe, profissionais do mercado, professores e estudantes, no sentido de seguir em frente com a luta contra a precarização do Ensino e Formação, em todas as suas frentes de batalha e em todas as suas formas de pressão e manifestações, sejam elas técnicas, jurídicas, acadêmicas e financeiras.

No caso específico da formação de profissionais arquitetas e arquitetos e urbanistas a modalidade presencial demonstrou-se a melhor forma de atender às exigências de uma formação generalista consistente, em teoria e prática, historicamente construída a partir de apresentações dialogadas, ateliês de criação, laboratórios, levantamentos exploratórios, visitas in loco, viagens de estudo, movimentos de pesquisa e atividades de extensão, assim como exigem as vigentes Diretrizes Curriculares Nacionais em Arquitetura e Urbanismo.

Com suas ações e campanhas publicitárias contra a precarização do ensino e da formação, o CAU/RS almeja orientar estudantes que, no sonho de se tornarem profissionais, se matriculam em instituições – sem saber, na maioria das vezes – que oferecem uma formação precária e muito aquém daquilo que é exigido pela profissão, entrando no mercado de trabalho sem condições de se estabelecerem como profissionais e com poucas oportunidades de atuarem no mercado de trabalho, considerando a complexidade dos temas abordados pela Arquitetura e Urbanismo.

Neste aspecto, em especial, as ações do CAU/RS vêm em favor dos(as) estudantes, alertando aos riscos de uma formação precarizada e propondo políticas de inclusão nas instituições Públicas e Privadas presenciais para que se possa garantir um ensino de qualidade e uma formação integral para todos.

Nos encontramos num momento muito importante, às vésperas da homologação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de Arquitetura e Urbanismo, aprovadas por unanimidade pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que revisam e ampliam a DCN atual (CNE/CES nº 2, de 17 de junho de 2010) e definem que a modalidade presencial é o modelo mais eficaz para manutenção da qualidade do ensino. Como aponta o Artigo 33 e o parágrafo 10 abaixo, extraídos da nova DCN:

Art. 33. O Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo terá carga horária mínima e referencial
de 3.600 (três mil e seiscentas) horas dedicadas exclusivamente aos componentes curriculares
definidos nestas DCNs, integralização mínima em 5 (cinco) anos, edeve ser oferecido na modalidade
presencial, tendo em vista as caracterís7cas da profissão e a natureza do saber da Arquitetura, do
Urbanismo e da Arquitetura da Paisagem, que demandam como fundamental a vivência das relações
interpessoais, e cuja produção inadequada pode apresentar risco à vida e à saúde dos usuários.

§ 10. Nenhum conteúdo curricular pode ser ministrado à distância.

O CAU/RS tem defendido a presencialidade como única modalidade capaz de assegurar os padrões e os indicadores de qualidade, construídos consensualmente, ao longo do tempo, entre as entidades de classe nas inúmeras reuniões de trabalho, seminários de ensino e formação, manifestos públicos, campanhas publicitárias, enfrentamentos jurídicos em curso e posicionamentos técnicos referentes ao tema.

O documento mais contundente em defesa da Modalidade Presencial para os cursos de Arquitetura e Urbanismo é justamente o Parecer do Conselho Nacional de Educação (Parecer CNE/CES nº 952/2023), de 06 de dezembro de 2023, que em suas páginas iniciais, discorre com maestria e precisão sobre os conteúdos que expressam a luta histórica da categoria em prol da qualidade de ensino.

O CAU/RS continua comprometido em não medir esforços para trabalhar juntamente com os demais CAU/UFs, com o CAU/BR e com o MEC, no sentido de criar o ambiente propício para dar segurança e celeridade para a homologação das novas DCN, que nos garantirá a presencialidade na formação das novas gerações de profissionais de Arquitetura e Urbanismo, entre outras conquistas, e a desejada e construída qualidade de ensino.


Publicado no site do CAU/RS em 06/05/2024.

https://caurs.gov.br/pela-qualidade-do-ensino-presencial/ 

 

sexta-feira, 8 de março de 2024

As mulheres da minha geração

As Mulheres da minha geração abriram suas pétalas rebeldes, não de rosas, camélias, orquídeas ou outras ervas, de salõezinhos tristes, de casinhas burguesas, de velhos costumes.

Mas de ervas peregrinas entre ventos, porque as Mulheres da minha geração floriram nas ruas, nas fábricas, viraram fiadeiras de sonhos, no sindicato, organizaram o amor segundo seus sábios critérios.

Quer dizer, disseram as Mulheres da minha geração, a cada qual segundo sua necessidade e capacidade de resposta, como na luta golpe a golpe, no amor beijo a beijo.

Porque as Mulheres da minha geração beberam com vontade o vinho dos vivos, acudiram a todas as chamadas e foram dignidade na derrota. Porque as Mulheres da minha geração nos marcaram com o fogo indelével de suas unhas a verdade universal dos seus direitos.

Conheceram o cárcere e os golpes, habitaram em mil pátrias e em nenhuma, choraram os seus mortos e os meus como se fossem seus, deram calor ao frio e ao cansaço desejo, à água sabor e ao fogo orientaram pelo rumo certo, dançaram o melhor do vinho e beberam as melhores melodias.

Porque As Mulheres da minha geração, nos ensinaram que a vida não se oferece aos sorvos, companheiros, mas de golpe, até o fundo das consequências.

Foram estudantes, mineiras, sindicalistas, operárias, artesãs, atrizes, guerrilheiras, até mães e parceiras nos momentos livres da Resistência, porque as Mulheres da minha geração só respeitaram os limites que superavam todas as fronteiras.

Internacionalistas do carinho, brigadistas do amor, comissárias do dizer te amo, milicianas das carícias, entre batalha e batalha as Mulheres da minha geração deram tudo e disseram que isso era apenas o suficiente.

Seus cabelos grisalhos não são grisalhos, mas uma forma de ser para a tarefa que as espera, as rugas que aparecem em seus rostos dizem: tenho rido, tenho chorado e voltaria a fazê-lo.

As Mulheres da minha geração ganharam alguns quilos de razões que se grudam nos seus corpos, movimentam-se um pouco mais lentas, cansadas de esperar-nos nas metas. Escrevem cartas que incendeiam as memórias, lembram aromas proscritos e cantam, inventam a cada dia as palavras e com elas nos empurram, nomeiam as coisas e mobíliam o mundo.

Escrevem verdades na areia para oferecê-las ao mar, nos convocam e nos parem sobre a mesa posta. Elas dizem pão, trabalho, justiça e liberdade, e a prudência se transforma em vergonha.

As Mulheres da minha geração são como as barricadas, protegem e animam, dão confiança e suavizam o gume da ira.

As Mulheres da minha geração são como um punho fechado que resguardam com violência a ternura do mundo.

As Mulheres de minha geração não gritam porque elas derrotaram o silêncio.

Se alguma coisa nos marca são elas. Elas: a fé de volta, o valor oculto num panfleto, o beijo clandestino, o retorno a todos os direitos, um tango na serena solidão do aeroporto, um poema de Gelman escrito num guardanapo, Benedetti compartilhado no universo de um guarda-chuva, os nomes dos amigos guardados com ramos de alfazema, as cartas que fazem beijar ao carteiro, as mãos que sustentam os retratos dos meus mortos, os elementos simples dos dias que apavoram ao tirano, a complexa arquitetura dos sonhos dos teus netos.

São tudo e tudo sustentam porque tudo vem com seus passos e chega até nós e nos surpreende. Não há solidão onde elas mirem, nem esquecimento enquanto elas cantem. Intelectuais do instinto, instinto da razão, prova de força para o forte e amorosa vitamina do fraco.

Assim são elas, as únicas irrepetíveis, imprescindíveis, sofridas, golpeadas, renegadas, mas invictas Mulheres da minha geração.

Autor: Luís Sepúlveda

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

DCN - Arquitetura e Urbanismo

Colegas,

Nesta semana, dia 6 de dezembro, recebemos a ótima notícia da aprovação por unanimidade no CNE - Conselho Nacional de Educação das novas DCNs - Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Arquitetura e Urbanismo do País. E ontem, 07 de dezembro, a assinatura do Ministro da Educação. Isto é motivo de muitas alegrias para o CAU/RS e CAUs de todo o Brasil.

O CAU/RS é uma autarquia cujas funções são orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional. Isto torna-se necessário para proteger a sociedade do exercício profissional sem qualidade e sem os atributos legais para a sua prática. A origem destes problemas, entre outros, pode estar na falta de qualidade da formação nas IES.

Por isso os CAUs mantêm permanente as CEFs (comissões de ensino e formação), para tratar das questões relacionadas ao ensino e a formação na graduação. São funções da CEF, estreitar as relações do conselho com as IES (instituições de Ensino Superior), para orientá-las e estimulá-las a tratarem as questões acadêmicas como um processo que se reflete diretamente na atividade profissional e na sociedade.

É papel do MEC fiscalizar as ações das IES. O CAU/RS tem como tese que este papel fiscalizador pode ser elaborado de forma conjunta entre o MEC, comissões de especialistas, entidades e o conselho, pois as IES ficam, em média, 5 anos com os estudantes, e os CAUs 50 anos.

Atualmente somos mais de 60 cursos de arquitetura e urbanismo no nosso Estado (mais de 830 no Brasil). No ano 2000 o Brasil possuía 45 cursos públicos e 130 privados. 20 anos depois os cursos públicos totalizavam 70 e os privados 650.

Um salto exponencial perigoso e precarizante movido pelos interesses do mercado financeiro. A concorrência entre as IES privadas, na busca de competitividade econômica, ocasionou revisões curriculares que, na verdade, se caracterizaram na maioria das vezes por reduções de cargas-horárias dos cursos. 

Estas reduções chegaram ao mínimo previsto em lei de 3.600h, mas incluíram nelas, saberes de outras áreas do conhecimento, reduzindo os componentes curriculares específicos da profissão.

Como sabemos, educação e mercantilização não podem andar juntas.

Aluno não é cliente. 

Vaga para estudar não é mercadoria.

Para tal, o CAU/RS construiu, a partir do debate, algumas teses importantes:

1 - EaD não é modalidade de ensino,
2 - EaD como ferramenta de informação complementar é tolerável (fora da carga horária mínima dos cursos),
3 - EaD não pode entrar na carga horária das disciplinas que gerem atribuições profissionais,
4 - EaD não pode entrar em qualquer ateliê e atividades laboratoriais (topografia, materiais de construção, técnicas construtivas, maquete, desenho, edificações, urbanismo, paisagismo, etc.).
5 - TDE (trabalho discente efetivo), sem presencialidade e acompanhamento docente não pode ser computado na carga horária mínima dos cursos.

Propostas da CAU/RS:

Neste sentido, o CAU/RS tem sido protagonista na proposição e debate dos assuntos relacionados à educação, ensino e formação. Entre elas, cito:

1 - Trabalhar de forma colaborativa com a ABEA, FeNEA, Entidades, Instituições de Ensino Superior e suas respectivas coordenações de curso para a qualificação permanente e contínua do ensino e formação em Arquitetura e Urbanismo.

2 - Reforçar e ampliar as ações de defesa da qualidade do ensino de Arquitetura e Urbanismo, acompanhando os critérios para abertura de novos cursos e a aplicação indiscriminada de Ensino a Distância (EaD).

3 - Incentivar a extensão universitária e a ampliação dos Escritórios Modelos de Arquitetura e Urbanismo para a formação das futuras gerações de profissionais.

4 - Demonstrar a inviabilidade legal e ética da atividade das Empresas Juniores nos campos de atuação profissional da Arquitetura e Urbanismo e coibir suas atividades através da fiscalização.

5 - Incentivar as iniciativas de formação continuada e a residência técnica acadêmica em Arquitetura e Urbanismo como modelo de formação.

6 - Fomentar junto a entidades e IES a oferta de cursos, seminários, treinamentos e palestras, estimulando a participação de profissionais e estudantes, reforçando as atribuições, campos de atividades, práticas e princípios éticos da profissão.

7 - Valorizar a atividade docente estimulando a formação continuada, valorizando professores(as) com experiência profissional em projeto e obra, bem como metodologias e práticas inovadoras no ensino de Arquitetura e Urbanismo.

8 - Defender e atuar por políticas inclusivas de acesso ao Ensino Superior.

9 - Continuar atuante no debate e na proposição do novo documento contendo as novas diretrizes curriculares para os cursos de arquitetura e urbanismo, que garantam uma formação de qualidade.

Neste sentido, obtivemos uma vitória significativa nesta semana. A aprovação por unanimidade no CNE - Conselho Nacional de Educação e a assinatura do Ministro da Educação da nova DCNs - Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Arquitetura e Urbanismo do País. 

Desde o início do CAU temos trazido para o debate a preocupação com a precarização e mercantilização do ensino universitário no País, em especial, no ensino e formação da Arquitetura e Urbanismo. Nos últimos 6 anos, a partir de uma imersão no assunto, trouxemos como pauta para as reuniões e seminários da CEF-CAU/RS a necessária revisão da DCN vigente, justamente pela necessidade de atualização e por ela trazer no seu texto uma ampla e perigosa possibilidade interpretativa da aplicação dos componentes curriculares, muitos deles, perdidos na linha do tempo e nas desastrosas revisões curriculares dos cursos. 

Desde então, participamos ativamente CAU, IAB, ABEA, FENEA entre outras entidades, para a redação de um documento que reunisse nossas maiores aspirações de resgate e ganhos reais para a educação universitária e para a qualificação do ensino de Arquitetura e Urbanismo no país. Nossa primeira vitória, ainda em 2019, foi a aprovação deste documento no CONABEA de 2019, no Rio de Janeiro. 

Em consequência da pandemia do COVID-19 (2020/2021) sofremos um grande baque com as perdas humanas e com a paralização do processo de aprovação do projeto de lei da nova DCN. Neste período, fomos atropelados pelos rápidos avanços do Ead (Ensino à Distância) e o ERE (Ensino Remoto Emergencial). Fizemos, com recursos próprios, tudo o que podíamos fazer, mas com a certeza de que não estávamos fazendo o que deveríamos fazer. Mantivemos nossos estudantes intelectualmente ativos e em movimento, mas com uma limitação absurda de aprendizagem. Os efeitos desta precarização ainda estão sendo sentidos no ateliê, pela fragilidade da formação. 

Mesmo com estas barreiras e limitações o debate não paralisou. Continuamos firmes no nosso propósito de revisão da DCN. Aliás, fortalecidos pois a aplicação acrítica do EaD e do ERE rapidamente se mostrou completamente inviável para o ensino de Arquitetura e Urbanismo. O principal laboratório de Ensino e Aprendizagem é o Ateliê: espaço para onde convergem os diversos saberes e onde se faz a reflexão na ação do fazer o projeto. É onde a verdadeira pedagogia ativa se faz presente. É onde a sala de aula tradicional se transforma em sala de aula viva, se transforma em ateliê. É onde de forma presencial, assistida pelo professor e compartilhada entre os estudantes, se constrói o conhecimento e as competências necessárias para o exercício profissional. 

Além disto, o palco dos estudos no Curso de Arquitetura e Urbanismo é a cidade, com seus espaços públicos e privados com suas edificações recorrentes e excepcionais, com suas praças, parques e jardins, com sua mobilidade e com a vivência das pessoas. E isso não se viabiliza na sua plenitude pedagógica numa telinha de celular ou computador.

Também, o contato e o convívio no ateliê e no ambiente universitário são a peça chave para o entendimento da alma humana. E essa experiência é basilar para quem vai projetar e construir os novos espaços para as pessoas. 

Temos que comemorar! Mas a luta e a vigilância devem continuar, pois, mesmo sendo sólidas as nossas conquistas, é frágil a sua manutenção. É nosso compromisso fiscalizar a aplicação efetiva dos componentes curriculares na sua plenitude e de todo o conteúdo da nova DCN. As escolas terão 3 anos para sua aplicação e vão necessitar do apoio dos CAUs, num exercício coletivo e compartilhado para que possamos resgatar a qualidade de ensino perdida ao longo do tempo. 

Destaco aqui alguns aspectos importantes da nova DCN: 

- Arquitetura e Urbanismo são questões vitais de interesse público,- Arquitetura e Urbanismo constituem herança coletiva,

- Arquitetura e Urbanismo tem papel importante na saúde das populações,

- Arquitetura e Urbanismo constituem área de conhecimento próprio,

- Descrição clara e detalhada dos componentes curriculares,

- TFG no último ano ou semestre do curso, após integralização dos componentes curriculares,

- TFG tendo como objetivo avaliar as condições de qualificação do formando,

- TFG com 1 hora de orientação por aluno,

- Prazo mínimo de 5 anos para conclusão do curso,

- Carga horária mínima e referencial de 3.600h exclusivamente para os componentes curriculares,

- Modalidade presencial

- Atividades de Ateliê no mínimo com 40% da carga horária do curso,

- Proporção de 1 professor para cada 15 estudantes nos conteúdos práticos e de ateliê,

- Nenhum conteúdo curricular pode ser ministrado à distância,

- Definição das aulas em atividades práticas e atividades teóricas,

- Manter permanentemente programa de formação e desenvolvimento docente,

- Coordenação do curso exercida exclusivamente por docente arquiteto e urbanista,

- Docentes devem ter qualificação acadêmica e experiência profissional em suas áreas de atuação específicas, como requisito mínimo para ministrar os conteúdos,

- Definição clara dos espaços e equipamentos necessários para o processo de ensino e aprendizagem,

- As IES terão até 3 anos para implantação das DCNs.

Parabéns colegas pela luta que nos trouxe até aqui. Sigamos mobilizados, alertas e vigilantes. Não se trata de rigidez, trata-se de rigor na abordagem destes assuntos para proteger a sociedade contra a precarização do ensino e formação. Educação é coisa séria!

Arq. Paulo Ricardo BREGATTO

Conselheiro do Cau/RS

2012/2014 - 2018/2020 - 2024/2026

domingo, 20 de agosto de 2023

Formatura da PucRS


Turma querida, enfim, chegou o tão esperado dia da formatura. A solenidade de ontem estava linda. É sempre renovador da alma ver as novas gerações de profissionais fortalecendo as fileiras do nosso estimado ofício. Neste quesito, acredito na quantidade também: quantos mais arquitetos e urbanistas bem formados e qualificados, melhor para sociedade. Curtam muito o direito e o dever de serem os genuínos agentes destas transformações que caracterizam e viabilizam cada vez mais a nossa profissão.

Muito temos o que fazer! Muitos são os temas que precisam ser trabalhados com afinco e dedicação. Principalmente, os temas sociais capazes de diminuir a desigualdade em nosso país e devolver a dignidade da moradia, do trabalho, da saúde, da erradicação da fome, da segurança e da educação para o nosso povo carente destes direitos basilares.

Não esqueçam da "Função Social" do nosso ofício.

Foi lindo vê-los ontem radiantes com esta conquista. A primeira de muitas por vir. Que alegria caminhar com vocês nesta jornada. A caminhada está apenas começando. O longo degrau da formação acadêmica foi concluído ontem. Mas a escada tem muitos degraus! Acertem o passo e sigam sempre em frente. Busquem sempre serem "mármore polido, evitando serem pedra bruta".

Um abraço fraterno em cada um e em cada uma!


Colação de Grau: 19 de agosto de 2023
Horário: 20h
Local: Salão de Atos da PUCRS

DISCURSO DO PARANINFO

Componentes da mesa,
Familiares e amigos,
Minhas queridas e meus queridos colegas.
 
Desde já, o meu agradecimento pelo convite para ser o paraninfo desta turma. Que bela homenagem vocês me fazem, permitindo que eu use esta tribuna, com a nobre missão de conduzi-los da vida acadêmica para a vida profissional. Recebo sempre com muito carinho esta tarefa, pois ela está entre as maiores distinções que um professor pode receber em sua carreira acadêmica, justamente por vir dos seus futuros colegas de ofício.
 
Divido esta homenagem e alegria com os professores do curso que, com suas experiências profissionais e posturas comprometidas com a qualidade e com as demandas reais da nossa profissão, tem dado grandes contribuições para o ensino de arquitetura e urbanismo e para o reconhecimento de nossa escola, como uma das melhores do Estado (66 no RS e 827 no Brasil).
 
Turma querida, tenham a certeza do orgulho que sinto por suas trajetórias e por vê-los radiantes! Reconheci no olhar de cada um, em especial ao longo deste último semestre, o desejo da superação e o respeito pela nossa profissão. Respeito, expresso na tenacidade e dedicação com que buscaram fazer sempre o melhor. 

Ao fazerem isto fortaleceram as nossas convicções sobre os necessários avanços na revisão e formatação do ensino superior, mais identificado com o mundo do trabalho, com as demandas da sociedade, com as novas tecnologias, materiais e sistemas construtivos, com a economia dos meios, com o baixo impacto de nossas obras no meio-ambiente e na paisagem e com as qualidades que os jovens profissionais do século XXI devem possuir.
 
O paraninfo é o professor que ministra a última lição e o amigo que oferece o primeiro conselho! Então, vamos lá!

Começo exaltando o quanto crescemos como grupo e aprendemos uns com os outros nesta jornada. Esta consciência de equipe nos deu a coragem e a segurança para seguirmos em frente, superando os desafios, buscando o crescimento dos seus trabalhos e o amadurecimento de suas posturas, cada vez menos estudantes, para se tornarem cada vez mais profissionais. A evolução baseia-se no conceito da ajuda mútua e do compartilhamento, portanto, no fazer diário do nosso ofício, vocês devem continuar assim, se ajudando mutuamente. Seremos sempre mais fortes como grupo.
 
Na sequência, convido-os a ficarem atentos às novas demandas da sociedade, pois ela necessita muito do nosso trabalho. Ainda vemos as cidades crescendo desordenadamente, sem o criterioso planejamento, com prioridades questionáveis, com novas edificações e espaços públicos e privados desprovidos de qualidade funcional, estética e técnica. Também, o nosso patrimônio natural, ambiental, histórico, artístico e cultural, possuidor de grandes valores e belezas, agoniza pela falta de reconhecimento e pela falta de proteção, preservação, investimentos e capacidade de gestão.
 
Como consequência disto, o debate sobre a qualidade e sobre o impacto do que produzimos deve continuar com mais vigor. Muita construção e pouca arquitetura e urbanismo! Debatemos muito este tema ao longo do curso e temos que continuar a debatê-lo no dia-a-dia dos seus escritórios.
 
Colegas, isto não é uma tarefa fácil por tudo o que o nosso ofício significa e representa!
 
Lembrem-se sempre, que a arquitetura é arte, ciência e ofício. É arte, pois a partir da sua dimensão abstrata, ultrapassa seu papel de ser apenas abrigo utilitário, e passa a traduzir e divulgar os aspectos culturais e estéticos da sociedade e o espírito do seu tempo e lugar. É ciência, pois se vincula aos processos e métodos científicos de análise do comportamento humano, das suas necessidades mais elementares, da produção eficiente e sustentável do canteiro de obras, do controle do consumo energético, dos novos materiais e técnicas construtivas de baixo impacto ambiental e da reformulação e proposição dos novos espaços, palco da vida humana. E é ofício, pois a partir das nossas ações diárias, transformamos o mundo que nos cerca e vivemos dignamente com o fruto do nosso trabalho inovador e empreendedor.
 
Conscientes disso, não devemos fazer concessões quando o assunto é a qualidade do nosso trabalho, pois ao fazerem concessões, lá no final da linha, comprometerão a nossa prática profissional coletiva e fragilizarão a sociedade, ansiosa pela nossa visão transformadora de mundo.
 
Não esqueçam, também, que as conquistas normativas e de regulamentação do nosso ofício são recentes. Muitos são os ataques e as armadilhas de mercado que colocam em risco essa estabilidade. Portanto colegas, aí vai mais um conselho: devemos nos manter unidos, alertas e vigilantes, atuando na política profissional, participando ativamente das entidades de classe, entendendo, praticando, formulando, divulgando e promovendo os princípios éticos e os grandes temas do nosso ofício.
 
Para finalizar, convoco-os a refletirem criticamente sobre a necessidade urgente de praticarem a nossa profissão valorizando o conteúdo acima da imagem. A não se deixarem seduzir pelos superficiais apelos midiáticos da profissão. A reagirem duramente contra o aviltamento da prática profissional. A reconhecerem as diferenças entre valor e preço dos seus trabalhos. A terem como livro de cabeceira o nosso código de ética profissional. A concentrarem seus esforços nas demandas e necessidades reais dos seus clientes e a nunca abrirem mão das questões fundamentais da arquitetura e urbanismo, objeto das suas qualificadas formações.
 
Improviso: Ontem, na missa de formatura, ouvindo atentamente as belas palavras proferidas pelo Paraninfo Espiritual, Prof. Paulo Cesa, relembrando o diálogo com o Arquiteto renascentista Michelangelo Buonarroti, quando questionado sobre como conseguia fazer obras tão belas a partir de blocos de pedras brutas, ao que ele responde “estas formas já estavam lá, eu apenas retirei as camadas de rocha para revelá-las, libertá-las”. Ouvi aquilo e fui para casa pensando: Quem sou eu? Quem eu sou? Mármore lapidado ou pedra bruta? E me dei conta de que somos tanto um, quanto outro, pois essa é a magia do livre arbítrio que, diante das nossas decisões e, principalmente, das nossas ações nos torna mármore polido ou pedra bruta. Eis aí mais um conselho colegas: tomem sempre as melhores decisões, escolham sempre os melhores caminhos para que vocês possam ter a leveza e a beleza do mármore polido.
 
Dito isto meus queridos, resta-me apenas chamá-los para a vida profissional. Sejam sempre bons colegas, sejam solidários, sejam bons projetistas, sejam bons construtores pois, afinal de contas, projetamos e construímos porque acreditamos no futuro e não há nada que demonstre maior compromisso com o futuro do que o potencial proativo e transformador da nossa profissão.
 
Muito obrigado por esta homenagem!
Uma honra caminhar com vocês até aqui!
 
Paulo Ricardo BREGATTO
Salão de Atos da PUCRS
19/08/2023 – 20h

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Tempo...


“Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução do trabalhador é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: ‘eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize."

Antônio Cândido

Recebi, em boa hora, do meu querido amigo Prof. Marcos Pereira Diligenti. Consciência de classe é fundamental para o entendimento do mundo como está e para a reestruturação da sociedade buscando erradicar a desigualdade. Valeu Marquinhos! 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O Homem Lúcido

"O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções, que ele nunca se entusiasma com ela, assim como não tema a morte.

O homem lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.

Pode, também, o homem lúcido optar pela vida. Aí, então, ele esgotará todas as suas possibilidades.

Ele passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Ele saberá ver a beleza em tudo.

Ele terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e com mansidão.

E morrerá, o homem lúcido, de causas naturais e em idade avançada, cercado por seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. pairará, então, sobre a memória do homem lúcido uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito. Aquele fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis.

O homem lúcido, que optou pela vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre a maioria.

Porque essa é uma cortesia que a natureza faz com os homens lúcidos."

Recebi este texto da minha querida amiga e colega Cassandra Coradin, como resultado das nossas ótimas conversas e reflexões sobre a vida e sobre a profissão. O texto é uma livre tradução, parte do Tratado Sobre a Lucidez, escrito no século VI a.C, na Caldeia – parte sul e mais fértil da Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Carta de Brasília

26 de novembro de 2021

Diante das profundas transformações ambientais pelas quais passa o planeta e, sobretudo, em face à pandemia da Covid-19, nós, arquitetas(os), urbanistas, paisagistas, profissionais atuantes em diferentes áreas da vida social, reiteramos nosso compromisso com a qualidade da produção dos espaços das cidades e, notadamente, com os direitos urbanísticos, individuais e coletivos. Nossa responsabilidade profissional demanda ampliar a ressonância dos resultados de pesquisas e estudos visando, principalmente, atender a sociedade civil e os atores alijados dos processos participativos e decisórios.

É crucial, contudo, fortalecer a relação entre arquitetura, sociedade e natureza em suas múltiplas dimensões: seja como ambiente físico e espaço de preservação dos bens naturais, seja como sedimentação das histórias de modos de vida essenciais para a sobrevivência de diferentes culturas. Como alertam comunidades e movimentos sociais nos espaços de discussão política, ambiental e jurídica, o rural e o urbano se interpenetram em paisagens naturais e construídas e estabelecem dinâmicas de complementaridade que rompem a lógica capitalista de segmentação entre campo e cidade, lembrando que rios, lagos e florestas são elementos essenciais para as relações e vivências dos povos.

Nesse momento de revisão de paradigmas, é urgente que se criem alternativas filosóficas e construtivas em prol de uma arquitetura humanizada, integrada ao seu meio físico, cultural e ambiental. Diante de tantas situações de destruição, trata-se não apenas de identificar, criticar e denunciar processos que impactam as condições locais que afetam vidas humanas em nível mundial, mas também instaurar novas práticas de concepção e de ação pública e política. 

No Brasil, neste novembro de 2021, vivenciamos um quadro de desmonte progressivo e acelerado de toda a estrutura de ensino e pesquisa construída ao longo das últimas décadas. O investimento em pesquisa está no menor patamar em anos, bolsas de pós-graduação foram cortadas, o orçamento das universidades federais foi drasticamente reduzido, colocando em risco seu funcionamento. Nossa grande área de conhecimento – as Ciências Sociais Aplicadas – tem sido atacada frontalmente pelo governo, soma-se a isso a fragilização das estruturas de estado voltadas para a esfera social e da cultura, exemplificada no cancelamento da realização do Censo Demográfico 2020. 

Vivemos novos e constantes desafios seja em nossos Programas de Pós-Graduação e atividades de ensino, pesquisa e extensão, seja no âmbito do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) e de ameaça à democracia e à liberdade de cátedra. Faz-se, portanto, imperioso, conservarmo-nos firmes e propositivos em nossas ações e missão social.

Vimos, assim, afirmar que a reflexão comum dos diferentes movimentos sociais associativos mostra que os conceitos de cidade, cidadania, educação, ciência e cultura não são abstratos. Acreditamos que esta é a hora de demonstrar a ação coletiva das associações e entidades no sentido de esboçar, formular e construir projetos e políticas para as diversas configurações das vidas urbanas em comum. 

Reiteramos, portanto, que no momento em que vivemos, dá-se a urgência da organização de segmentos da sociedade brasileira em grupos de reflexão e ação em termos de resistência e proposição.

Enfim, registre-se nosso compromisso e empenho comum em mantermo-nos em diálogo e interação, contribuindo no cotidiano dos indivíduos com os mundos que têm e com os quais sonham. 

ABAP – Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas

ABEA – Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo

ANPARQ – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e

Urbanismo

ANPUR – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento

Urbano e Regional

ANTAC – Associação Nacional de Tecnologia no Ambiente Construído

AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura

BrCidades – Rede Brasil Cidades

CAU/BR – Conselho Nacional de Arquitetura e Urbanismo

DOCOMOMO BRASIL – Documentação e preservação de edifícios, sítios e unidades

de vizinhanças do Movimento Moderno

FASE Amazônia – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional -

Amazônia

FCHSSALLA – Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística,

Letras e Artes

FeNEA – Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil

FNA – Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas

FoPósGAU – Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação em AU

Fórum Nacional de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro

GHabitar – Associação Portuguesa para a Promoção da Qualidade Habitacional

IAB-BR – Instituto de Arquitetos do Brasil

LePar – Laboratório de Estudos Sócio Antropológicos em Política, Arte e Religião

SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

UNMP – União Nacional por Moradia Popular

7 Seminário Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo.

24, 25 e 26 de novembro de 2021

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Sol de Primavera

Compositores: Ronaldo Bastos e Beto Guedes

Quando entrar setembro
E a boa nova entrar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou juntos outra vez

Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim, não custa inventar
Uma nova canção que venha nos trazer

Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Planejar, para descansar sem culpa

Texto publicado na Revista RFP n°2 - Revista Felipe Petrillo.
Uma revista de corrida feita por corredores.
ISBN: 978-65-00-22307-1


Planejar, para descansar sem culpa

Com muita frequência ouvimos dos gestores e dos governantes, como um vetor de motivação nos tempos de crise, a seguinte frase: “temos que fazer deste limão, uma limonada!”. Sempre senti um desconforto diante dela, principalmente, quando dita como um convite à superação. Não vejo precisão nesta frase por identificar nela uma dose exagerada de resignação e impotência e, diante disto, uma explícita provocação para se fazer muito com pouco. Meu sentimento inicial é de reconhecer uma falta de envolvimento mútuo com a causa, principalmente, por eximir quem a profere do compromisso e da responsabilidade com os investimentos necessários para se fazer aquilo que precisa ser feito, com planejamento e qualidade. Quando cito os investimentos, não me refiro unicamente ao dinheiro, enquanto moeda de intermediação e troca. Me refiro ao planejamento, ou neste caso, na falta dele.

Planejamento tem sua origem no latim Planus, cujo significado pode ser entendido como planificar, colocar no plano, e, com isto, permitir ao planejador uma visão ampla e completa dos vários elementos que constituem um problema. Quando falta o planejamento, vem o desespero do improviso e, infelizmente, surgem as frases prontas como ilusório vetor de falsa motivação.

Claro que entendo que fazer mais com menos é a base para uma atitude sustentável, quando feita com zelo e responsabilidade, e expressa uma boa dose de preocupação com a necessária economia de recursos financeiros e meios de produção, com o propósito de minimizar os impactos na economia e no meio ambiente.

Mas na maioria das vezes em que a frase é utilizada não se trata disto. Trata-se do eterno conflito entre Capital e Meios de Produção, onde quem tem mais, para obter mais ainda, faz uso da capacidade produtiva de quem tem menos. Esquecem, os que usam a frase como mantra de produtividade, que, com um limão podemos fazer apenas uma limonada para consumo próprio, enquanto que a crise nos exige justamente o contrário: usar, com inteligência coletiva e proativa, a nossa capacidade de planejar para inovar e empreender, experimentando e construindo estratégias de correção de rota e reversão da crise para todos. Isto se dá tanto na escala das grandes corporações, quanto na escala doméstica do dia a dia. Aceitar passivamente a crise, tendo que aumentar a produtividade apenas tendo como arma a metáfora do limão mágico e motivador, é um caminho exploratório que só faz aumentar a desigualdade.

Portanto, planejar é preciso! Se vamos levar a vida, sempre e somente, ao sabor do vento quando vemos estamos em território desconhecido, o que nem sempre é uma coisa ruim, mas viver apenas de horizontes incertos, também, tem sido um componente do atual sentimento de tensão e medo que acompanha a população diante da situação econômica atual e dos avanços da pandemia do Covid-19, ainda sem uma perspectiva de cura.

Planejar nos ajuda a entender a diferença entre o desejo, o sonho e a realidade. Enquanto que o desejo e o sonho são sentimentos de querer passivamente alguma coisa, a realidade é o conjunto de ações necessárias para se chegar lá. Quando conseguimos identificar esta sutil diferença, saímos da zona de conforto de apenas querer e esperar, para nos tornarmos protagonistas dos movimentos que efetivamente nos farão atingir o objetivo. Planejar é definir e desenhar estes movimentos reais e estas ações estratégicas na linha do tempo e do espaço.

Não há perda de romantismo no planejamento, como se transformássemos o viver num processo frio, mecanicista e previsível, pois a vida, sempre dinâmica, irá constantemente nos oferecer surpresas e novas perspectivas e, em consequência disto, nos exigir revisões no planejamento capazes de promover as devidas correções de rota ao longo do caminho. De certa forma, planejar é pegar aquele grande desafio que, por ser grande, assusta e se mostra inatingível e fragmentá-lo em pequenas partes, capazes de serem encaradas e resolvidas, também, com pequenos movimentos e atitudes.

O mágico deste processo de entender a vida como, parte aventura espontânea e parte planejamento estratégico é justamente a busca do equilíbrio que nos permite sermos leves como a pluma, mas sempre com o olhar preciso na direção e no movimento dos ventos, pois ajustar as velas sempre será uma tarefa necessária. Quando nos acostumamos a planejar, até mesmo as pequenas coisas, aprendemos a prever os imprevistos, deixando na linha do tempo das ações um espaço para algum problema ou evento inesperado, não visualizado previamente, que possa acontecer ainda em tempo hábil para ser analisado e resolvido.

Para acertar em cheio é preciso aceitar o imprevisto como parte do processo de planejamento. Me refiro, neste sentido, ao imprevisto – que podemos chamar de erro planejado – como componente das necessárias experimentações e que darão aos acertos o balizamento correto e os limites entre um resultado e outro. Acertar no planejamento, às vezes, é muito mais andar neste intervalo entre o erro e o acerto do que ter a precisão do alvo. Cada desafio aliado à nossa capacidade de absorver riscos, irá definir as margens seguras para o erro. Mas o erro planejado é parte do processo e exige coragem para o planejador não esmorecer diante da crítica. O erro é o registro das possibilidades, como muito bem a ciência e as grandes invenções têm nos demonstrado.

A experimentação e o erro, como parte do planejamento, estão no cerne dos processos criativos e no DNA das ideias que geraram as grandes revoluções no campo da ciência, da tecnologia e das artes. Muitos dos grandes feitos da ciência deram saltos quânticos justamente pelo evento do erro. Portanto, nestes momentos de economia retraída, não devemos ter medo de planejar, ousar e experimentar. Não devemos nos encolher e nos apequenar por medo de errar. Quando planejamos e consideramos os imprevistos no nosso planejamento, criamos os anticorpos para superá-los mais rapidamente do que quando somos pegos de surpresa. A vida nos mostra isso diariamente.

No fazer diário do meu ofício de arquiteto e urbanista e, também, de professor universitário, o planejamento é uma ferramenta necessária e muito eficaz. Em essência, o arquiteto e urbanista é o profissional do projeto e da obra, e projetar e construir alguma coisa que ainda não existe é puramente planejar. Seja a reforma de um pequeno espaço da casa, o desenho de um mobiliário especial, as edificações de qualquer tamanho ou função ou o projeto urbano de uma grande cidade.

Definimos e colocamos na linha do tempo as etapas de projeto e obra, o custo financeiro de cada uma delas e o momento exato em que um processo construtivo tem que estar pronto, para liberar o início de outro processo. Também, definimos quando teremos maior ou menor desencaixe financeiro e a sua síncrona vinculação com cada etapa da obra e com o calendário. Em paralelo, vamos dando a atenção necessária aos vários processos legais de aprovação e licenciamento tanto do projeto, quanto da obra. Somente quando fazemos este planejamento detalhado, nos sentimos seguros para executar mais do que um projeto e uma obra simultaneamente.

Na Universidade o planejamento é tudo. Tanto para o professor, quanto para o aluno. É tarefa do professor, construir a proposta pedagógica para um novo curso, um novo saber ou uma nova disciplina, elencar os conteúdos, definir os exercícios, ajustar o sistema de avaliação e construir o cronograma para as aulas. Quando o professor não faz isso, o aluno logo se dá conta do improviso e o descrédito toma conta da sala de aula. Também, o aluno necessita se planejar para aprender e atender os desafios das diversas disciplinas. Sempre incentivo os meus alunos ao prazer do exercício do planejamento, dizendo para eles: “quem planeja suas atividades acadêmicas poderá ter um final de semana de descanso, sem o desagradável sentimento de culpa por não estar trabalhando”. O resultado tem sido muito bom. Até hoje quando encontro antigos alunos eles fazem questão de me relatarem suas ótimas experiências com o planejamento estratégico na vida e no trabalho.

A certeza da importância do ato de planejar é sentida, também, noutras profissões e noutros tantos setores da nossa vida. O curioso, no entanto, é quando nos damos conta de que fazemos isso em nossas atividades profissionais, mas não temos o hábito salutar de planejar a nossa vida. Pode ser pela falta de definição das prioridades, pois definir prioridades é planejar. Pode ser porque, às vezes, damos mais importância para o trabalho do que para o convívio familiar. Quando vemos, nossos filhos cresceram, nossos pais envelheceram, alguns amigos se foram, perdemos aquela oportunidade de trabalho, deixamos de fazer aquela viagem, nos damos conta de que os nossos olhos perderam um pouco daquele frescor juvenil e nos vemos diante dos eternos lamentos sobre o quanto deveríamos ter feito mais isso e menos aquilo.

Fortaleci muito a experiência de planejar a vida, além do trabalho, quando resolvi fazer uma atividade física. A correria do trabalho no escritório e na Universidade, aliada a administração dos assuntos de família e a falta de um regramento relacionado à saúde, me fizeram sentir a necessidade urgente de ter uma válvula de escape para as tensões diárias. Nunca fui um praticante adepto aos esportes coletivos, por pura falta de habilidade com a bola, e, também, não me sentia feliz dentro de uma academia, fazendo aquelas exaustivas e necessárias séries infinitas de repetições dos exercícios.

Foi quando conheci e me envolvi com a corrida de rua. Me soava bem esta atividade por não requerer grandes investimentos financeiros iniciais e por me permitir praticá-la nos intervalos entre as minhas atividades de trabalho. Da decisão tomada em começar a correr até a primeira corrida, passaram-se 12 meses. Então, me dei conta de que não existiam os tais intervalos entre as atividades profissionais. Uma atividade estava precisamente interligada na outra, sem espaço inclusive para os imprevistos e sem espaço para uma alimentação saudável. E sempre havia uma desculpa para não calçar o tênis e correr. Então, recebi o convite e a motivação que me faltavam, numa conversa com o meu ex-aluno e grande amigo Júlio Rabelo, para entrar no grupo de corrida que ele fazia parte.

Mais uma vez planejar foi fundamental, afinal de contas, havia as corridas de rua duas vezes na semana e o, por mim, temido treino técnico para reforço muscular. Jamais direi para as pessoas para praticarem a corrida. Correr não é uma coisa natural que o organismo aceita bem. Dói, os músculos e as articulações reclamam, cansa, requer técnica, treinamento, repetições, disciplina, equipamentos adequados e a abertura de um tempo na agenda apertada para valer a pena. Me reservo a dizer para quem me pergunta como é correr: “a corrida mudou a minha vida”. E mudou para melhor!

A saúde não vinha bem, estava muito acima do peso, minha respiração era sempre ofegante e, até mesmo, as simples atividades domésticas geravam um grande cansaço.  Com o planejamento, com a seriedade necessária para executar os desafios da corrida, com o apoio da família, com a qualificada orientação do professor e com a energia positiva e motivadora do grupo, consegui em 10 meses aprender os rudimentos da técnica, entender a importância do equipamento certo, revisar o valor energético e nutritivo dos alimentos, entender a importância da hidratação, melhorar a minha capacidade cardiorrespiratória, voltar ao peso adequado para a minha altura e completar a minha primeira meia maratona. Ainda hoje me surpreendo com isso.

Passados 5 anos da entrada no grupo de corrida outros aprendizados foram se incorporando como, não ter pressa para chegar (ver artigo na RFP n°1 - Páginas 9/16), movimentar corretamente o corpo, ajustar a respiração, cuidar com o trânsito e com as irregularidades do piso, dar ao organismo o tempo adequado para o descanso e para a correta recuperação muscular, ter os necessários cuidados gerais com a alimentação, monitorar contínua e responsavelmente os exames periódicos de saúde, entre outros. Cada vez que corro, consigo colocar muitos pensamentos perdidos em seus devidos lugares. Naquele momento sou eu com os meus pensamentos, minhas passadas sincronizadas com a respiração, com a postura e com o movimento adequados do corpo, com as paisagens do trajeto, com as coisas que eu fiz e ainda tenho que fazer ao longo da semana, e o tempo parece que voa.

Para não ser vencido pela preguiça e pelo cansaço, que são mecanismos naturais de autodefesa do organismo contra o ato de correr, tudo isso requer muito planejamento. Mais planejamento do que força de vontade. Monitorar a previsão do tempo, organizar os roteiros para as corridas de rua, treinar e participar das competições, revisar a alimentação, cuidar da hidratação, checar o equipamento, entre outras tarefas prazerosas do corredor. Então, nos damos conta de que a corrida envolve, pelo menos, 3 etapas: planejar, correr e descansar sem sentimento de culpa.

Portanto, menos improviso, mais planejamento, menos crença naquilo que não depende de nós, mais atitude e coragem para tudo que está dentro e depende de nós. Somos o que sabemos, acreditamos, pensamos e propagamos, mas seremos sempre lembrados pelo que fazemos. Planejem, mexam-se, sejam felizes e deixem as metáforas e os limões em paz.